quinta-feira, 14 de outubro de 2010

3 e curso - O trabalho ao longo do tempo

LABORATÓRIO DE REDAÇÃO

O trabalho não é uma essência atemporal do homem. Ele é uma invenção histórica e, como tal, pode ser transformado e mesmo desaparecer. (A. Simões)

Há algumas décadas, pensava-se que o progresso técnico e o aumento da capacidade de produção permitiriam que o trabalho ficasse razoavelmente fora de moda e a humanidade tivesse mais tempo para si mesma. Na verdade, o que se passa hoje é que uma parte da humanidade está se matando de tanto trabalhar, enquanto a outra parte está morrendo por falta de emprego. ( M. A. Marques)
No século 20, instituíram-se nas indústrias as linhas de montagem e, imediatamente, surgiram os críticos veementes a essa forma de produção. Desde o século 18, no início da Revolução Industrial, os trabalhadores das cidades foram engajados no trabalho mecânico de se movimentarem juntos, em ritmo igual ao da máquina. Acho que esse casamento de homem e máquina, de horários coletivos, sincrônicos, gerou algo de novo atrelado à noção de tarefa desagradável. O trabalho pesado, sujo, continua sendo aversivo. Mas a nova forma de escravidão do homem ao motor da máquina tornou mais esse trabalho rejeitável. O macacão e o colarinho branco estão hoje juntos na categoria de alienantes. Tarefa boa é a criativa, que respeita o indivíduo em seu ritmo pessoal. Cargo desejável é aquele no qual podemos impor nosso horário e nosso ritmo.
Mas isso tudo não é claro, é bem cheio de paradoxos. A mulher, por exemplo, ainda sonha em sair de casa para submeter-se a essa alienação, enquanto o homem sonha em se livrar dela, trabalhando em casa. Não importa qual é a organização social do trabalho, o homem parece sempre encontrar um jeito de declarar certas tarefas como subalternas. Em torno dessas e outras qualificações que a atividade humana recebe, a sociedade se organiza em classes, grupos, raças, conhecimentos, de tal forma que caiba a alguns uma fatia maior do desagradável. E assim se organiza o mundo...
(Anna Verônica Mautner. Folha Equilíbrio, 15.04.2004. Adaptado.)


Texto II
A erosão do trabalho

“ARBEIT, LAVORO, travail, labour, trabajo.” Não há nenhum canto do mundo que não esteja vendo o desmoronar do trabalho. A atividade que nasceu sob o signo da contradição foi, desde o primeiro momento, um ato vital, capaz de plasmar a própria produção e a reprodução da vida humana, de criar cada vez mais bens materiais e simbólicos socialmente vitais e necessários. Mas trouxe consigo, desde os primórdios, o fardo, a marca do sofrimento, o traço da servidão, os meandros da sujeição.
Se o trabalho é um ato poético, o momento da potência e a potência da criação, ele também encontra suas origens no “tripalium”, instrumento de punição e tortura.
Se, para Weber, o trabalho fora concebido como expressão de uma ética positiva em sintonia com o nascente mundo da mercadoria e o encanto dos negócios (negação do ócio), para Marx, ao contrário, o que principiara como uma atividade vital se converteu em um não valor gerador de outro valor, o de troca. Daí sua síntese cáustica: se pudessem, todos os trabalhadores fugiriam do trabalho como se foge de uma peste!
E a sociedade da mercadoria do século 20 se consolidou como a sociedade do trabalho. Desde o início, no microcosmo familiar, fomos educados para o labor. O sem-trabalho era expressão de pária social. Mas a mesma sociedade que se moldou pela formatação do trabalho se esgotou. Ele se reduz a cada dia – e de modo avassalador. Enquanto a população mundial cresce, ele míngua. Complexifica-se, é verdade, em vários setores, como nas tecnologias da informação e em outras áreas de ponta, e resta exangue em tantos outros.
(Ricardo Luiz Coltro Antunes. Folha de S.Paulo, 01.05.2009.)

Texto III

Atestado progressista

Desde Leão XIII, autor da encíclica Rerum Novarum, promulgada em 1891, a primeira a tratar do mundo da economia e do trabalho, os papas debruçaram-se sobre o tema. Ele entrou na lista de preocupações da Igreja Católica quando as transformações promovidas pela industrialização, entre as quais a criação de uma classe operária que vivia em condições degradantes, começaram a fornecer combustível farto à expansão das ideologias esquerdistas, ateias e anticlericais. Com a derrocada do comunismo, o Vaticano resolveu fustigar o capitalismo, antes alvo apenas periférico de seus documentos. Em meio à crise financeira que abalou os alicerces da economia mundial, Bento XVI fez conhecer na semana passada sua primeira encíclica a respeito do assunto: Caritas in Veritate (A Verdadeira Caridade), com 127 páginas.
(...) ... o atual papa reconhece o papel do lucro como motor da economia e que, nas últimas décadas, milhões de pessoas foram tiradas da pobreza e elevadas aos patamares de bem-estar da classe média. A globalização que não nos faz irmãos é elogiada pelos avanços que trouxe em seu bojo e é vista como um fato incancelável.
São palavras de Bento XVI: A exclusão do trabalho por muito tempo ou então uma prolongada dependência da assistência pública ou privada corroem a liberdade e a criatividade da pessoa e as suas relações familiares e sociais, causando enormes sofrimentos psicológicos e espirituais.
(Veja, 15.07.2009. Adaptado.)

Com base nas informações apresentadas nos textos de apoio e em outras de seu conhecimento, elabore um texto dissertativo discutindo a questão do trabalho no mundo atual, bem como as relações que com ele o homem estabelece.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Unicamp - Editorial

Redação – Texto 3
Coloque-se na posição de um jornalista que, com base na leitura do texto abaixo, deverá escrever um editorial, isto é, um artigo jornalístico opinativo, para um importante jornal do país, discutindo o crescimento do e-lixo no Brasil. Seu texto deverá, necessariamente:
a) abordar dois dos problemas relacionados ao crescimento do e-lixo no Brasil levantados pelo texto abaixo;
b) Apontar uma forma possível de enfrentar esse crescimento.
c) Atenção: Por se tratar de um editorial, você deverá atribuir um título ao seu texto.
Lembre-se de que não deverá recorrer à mera colagem de trechos do texto lido.

Aumento na geração de e-lixo e responsabilidade compartilhada

Quando você descarta um equipamento eletrônico, você está gerando o que se conhece como “e-lixo”. São materiais tais como pilhas, baterias, celulares, computadores, televisores, dvd’s, cd’s, rádios, lâmpadas fluorescentes e muitos outros que, se não tiverem uma destinação adequada, vão parar em aterros comuns e contaminam o solo e as águas, trazendo danos ao meio ambiente e para a saúde humana. Com a rápida modernização das tecnologias, os aparelhos tornam-se ultrapassados em uma velocidade assustadora. Na composição dos equipamentos eletrônicos existem substâncias tóxicas como o mercúrio, chumbo, cádmio, belírio e arsênio – altamente perigosos à saúde humana.
A organização das Nações Unidas (ONU) pediu em 22 de fevereiro de 2010 medidas urgentes contra o crescimento exponencial do lixo de origem eletrônica em países emergentes como o Brasil. O programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apresentou um relatório que ressalta a urgência de estabelecer um processo ambicioso e regulado de coleta e gestão adequada do lixo eletrônico uma vez que a geração desse lixo cresce mundialmente a uma taxa de cerca de 40 milhões de toneladas por ano.
Casemiro Tércio Carvalho, coordenador de planejamento ambiental da secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, credita a posição do Brasil à ampliação da inclusão digital no país e ao aumento do poder aquisitivo das classes C, D e E. Para o professor Fernando S. Meirelles, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), a questão do lixo eletrônico no Brasil não é necessariamente um problema de governo. “É um fator cultural. O mercado de reciclados ainda é muito incipiente e não há coletores suficientes”.
Embora ainda tramite no senado o projeto de lei da Política acional de Resíduos Sólidos – PNRS (aprovado pela Câmara dos deputados em março de 2010 após 19 anos de tramitação), é possível fazer alguns comentários sobre o conjunto de obrigações legais que estruturarão juridicamente, no Brasil, a logística reversa (o retorno do equipamento usado para o fabricante ou comerciante), que tem como implicação a responsabilidade compartilhada entre os produtores/fabricantes, os comerciantes e distribuidores, e os consumidores. Está visto que não adianta a boa vontade dos consumidores se não existir uma infraestrutura de recolha do lixo eletrônico. É essa falta de estrutura que representa o grande entrave na política de gestão prevista na PNRS. Não podemos ignorar que a nossa cultura de gestão de resíduos é “zero”. Daí porque o planejamento de política é o ponto inicial para qualquer medida que pretenda ser eficaz nessa área.
(Texto adaptado de várias fontes diferentes)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Corrupção - 3 e curso

CARTAS CHILENAS
A lei do teu contrato não faculta
que possas aplicar aos teus negócios
os públicos dinheiros. Tu, com eles,
pagaste aos teus credores grandes somas!
Ordena a sábia Junta que dês logo
da tua comissão estreita conta;
o chefe não assina a portaria,
não quer que se descubra a ladroeira,
porque te favorece, ainda à custa
dos régios interesses, quando finge
que os zela muito mais que as próprias rendas.
Por que, meu Silverino? Porque largas,
porque mandas presentes, mais dinheiro

Agora, Fanfarrão, agora falo
contigo, e só contigo. Por que causa
ordenas que se faça uma cobrança
tão rápida e tão forte contra aqueles
que ao Erário só devem tênues somas?
Não tens contratadores, que ao rei devem
de mil cruzados centos e mais centos?
Uma só quinta parte que estes dessem,
não matava do Erário o grande empenho?
O pobre, porque é pobre, pague tudo,
e o rico, porque é rico, vai pagando
sem soldados à porta, com sossego!
Não era menos torpe, e mais prudente,
que os devedores todos se igualassem?
Que, sem haver respeito ao pobre ou rico,
metessem no Erário um tanto certo,
à proporção das somas que devessem?
Indigno, indigno chefe! Tu não buscas
o público interesse. Tu só queres
mostrar ao sábio augusto um falso zelo,
poupando, ao mesmo tempo, os devedores,
os grossos devedores, que repartem
contigo os cabedais, que são do reino.

in: GONZAGA, Tomás Antônio. Poesias – Cartas Chilenas. Edição crítica de M. Rodrigues Lapa. Rio de Janeiro: INL, 1957. p. 264 e 266-267.

A LUNETA MÁGICA

Chamo-me Simplício e tenho condições naturais ainda mais tristes do que o meu nome.


Nasci sob a influência de uma estrela maligna, nasci marcado com o selo do infortúnio.
Sou míope; pior do que isso, duplamente míope, míope física e moralmente.
Miopia física: — a duas polegadas de distância dos olhos não distingo um girassol de uma violeta.E por isso ando na cidade e não vejo as casas.
Miopia moral: — sou sempre escravo das idéias dos outros; porque nunca pude ajustar duas idéias minhas.

E por isso quando vou às galerias da câmara temporária ou do senado, sou consecutiva e decididamente do parecer de todos os oradores que falam pró e contra a matéria em discussão.

Se ao menos eu não tivesse consciência dessa minha miopia moral!... mas a convicção profunda de infortúnio tão grande é a única luz que brilha sem nuvens no meu espírito.

Disse-me um negociante meu amigo que por essa luz da consciência represento eu a antítese de não poucos varões assinalados que não têm dez por cento de capital da inteligência que ostentam, e com que negociam na praça das coisas públicas.

— Mas esses varões não quebram, negociando assim?... perguntei-lhe.
— Qual! são as coisas públicas que andam ou se mostram quebradas.
—E eles?...

— Continuam sempre a negociar com o crédito dos tolos, e sempre se apresentam como boas firmas.

Na cândida inocência da minha miopia moral não pude entender se havia simplicidade ou malícia nas palavras do meu amigo.

In: MACEDO, Joaquim Manuel de. A Luneta Mágica. São Paulo: Saraiva, 1961. p. 01-02.

http://www.vestibular1.com.br/images/red13.gif

in: Bundas, ano 1, nº 4, 6 a 12 de julho de 1999, p. 5.

PROPOSIÇÃO
Os textos mostram que o problema da corrupção não é novo em nosso país. Na atualidade, tomamos conhecimento de várias formas de corrupção por meio da imprensa, bem como a vemos abordada em peças teatrais, telenovelas e ilustrada em quadrinhos, charges e programas cômicos. A maioria dos brasileiros condena a corrupção, considerando-a culpada dos principais males que atingem o país, mas há também quem afirme que é uma "doença sem remédio" ou que faz parte da natureza de nossa sociedade. Nesse contexto, o cartum de Millôr Fernandes, parodiando um gênero de publicidade oficial, convoca sarcasticamente os jovens a participar da corrupção em todos os setores da vida nacional.
Posicionando-se como alguém que pensa em seu futuro e sabe que pode encontrar no caminho a corrupção, manifeste sua opinião sobre o assunto, escrevendo uma redação, de gênero dissertativo, sobre o tema:


O JOVEM ANTE A CORRUPÇÃO: UM INIMIGO
A COMBATER OU UM DADO A ACEITAR?

O Analfabeto Político
Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Link para o video do poema:

http://www.youtube.com/watch?v=Oiy00vfmDzQ


Confira aqui a declaração do senador Cristovam Buarque sobre corrupção:


http://www.youtube.com/watch?v=i2i8fcZ093k

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Laboratório 3 e curso - "Cansei"



O Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, conhecido popularmente pelo slogan Cansei, é um movimento da sociedade civil surgido em julho de 2007, logo após o acidente com o vôo 3054 da TAM. O Cansei declara-se apartidário e visa à reflexão sobre os motivos do que considera a desordem da administração pública no governo Lula.

Intelectuais de esquerda alinhados com o Partido dos Trabalhadores apontam o movimento como elitista, como a seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (cuja seção paulista é um dos membros e patrocinadores do movimento)[1]. Tais acusações são refutadas integralmente pelos articuladores do movimento.

Características

Alguns críticos do movimento, entre eles partidários da administração de Lula, sustentam que o movimento tem a intenção de desestabilizar o governo. No entanto, membros alegam que o movimento não tem afiliações partidárias, apesar de não explicitarem suas intenções.

Embora o movimento tenha surgido, entre outros motivos, como forma de protesto contra o "caos aéreo", que teria levado à queda do avião da TAM, informações contidas na caixa preta do avião vieram a indicar que o acidente foi provocado por falha da aeronave ou dos pilotos, o que tornaria nula a ligação entre o acidente e uma suposta crise do setor aéreo brasileiro.

Outra crítica foi feita pelos próprios parentes das vítimas do vôo 3054 da TAM, um mês após o acidente, em razão da desorganização dos responsáveis pela manifestação realizada no centro da cidade de São Paulo e o desrespeito aos familiares, que foram impedidos pelos seguranças do evento de subirem ao palco.

Em seu discurso no evento na Praça da Sé, em 17 de agosto de 2007, o presidente da OAB-SP, Luis Flávio Borges D'Urso, relacionou todos os motivos que teriam levado a população a dizer Cansei, slogan do movimento.

Membros

Os membros do Cansei foram popularmente denominados de "cansados" por esquerdistas [3] e até mesmo por simpáticos ao movimento [4]. De acordo com a página oficial do movimento na internet [5], a lista dos membros do Cansei é a seguinte:

Apresentadores/atores

§ Adriana Lessa

§ Ana Maria Braga

§ Beatriz Segall

§ Boris Casoy

§ Carlos Alberto de Nóbrega

§ Christiane Torloni

§ Goulart de Andrade

§ Hebe Camargo

§ Irene Ravache

§ Luana Piovani

§ Moacyr Franco

§ Osmar Santos

§ Paulo Vilhena

§ Regina Duarte

§ Sílvia Poppovic

§ Tom Cavalcante

§ Victor Fasano

Cantores

§ Agnaldo Rayol

§ Ivete Sangalo

§ Jair Rodrigues

§ Léo Jaime

§ Sérgio Reis

§ Seu Jorge

§ Wanderléa

§ Zezé di Camargo

Empresários/políticos

§ Gabriel Chalita

§ Jesus Sangalo

§ João Dória Júnior

§ Lafaiete Coutinho

§ Luiz Flávio Borges D'Urso

§ Paulo Zottolo

Esportistas

§ Caio

§ Fernando Scherer

§ Lars Grael

§ Torben Grael

Socialites

§ Beth Szafir

§ Patrícia Rollo

Controvérsia relacionada ao Piauí

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da Philips no Brasil, Paulo Zottolo afirmou que, ao apoiar o movimento Cansei, desejava remexer no "marasmo cívico" do Brasil, e afirmou: "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". Mais tarde, Zottolo pediu desculpas ao povo do Piauí em entrevista a Folha de S. Paulo, dizendo que seu comentário foi "infeliz".[8]

No dia 17 de agosto, Zottolo disse ao governador Wellington Dias (PT) que visitaria o Piauí. Após divulgada tal informação para a imprensa, estudantes quebraram dois aparelhos da Philips durante manifestação pública em uma praça de Teresina. Cerca de 50 manifestantes estavam presentes e uma nota de repúdio a Zottolo foi distribuída. Um trecho do texto, assinado por entidades como UNE e UBES, diz que a afirmação do presidente da Philips foi uma "demonstração clara do preconceito que a elite paulistana tem contra nordestinos."[9]

Devido à pressão pública, a Assembléia Legislativa do Piauí aprovou um decreto considerando Zottolo persona non grata no estado. O título é apenas simbólico, mas impede que qualquer instituição do poder público no Piauí conceda homenagens a Zottolo. As declarações de Zottolo também repercutiram na Assembléia Legislativa do Ceará. O deputado Tomás Figueiredo Filho (PSDB), propôs uma moção de repúdio contra o presidente da Philips. "Somos Estados nordestinos e estamos cansados é dessa discriminação", disse o deputado.[10]

26/07/2007 - 18h32

Grupo lança movimento "cansei" do caos aéreo e da corrupção

da Folha Online

Várias entidades de representação da sociedade civil se organizaram para lançar um movimento em defesa do direito cívico dos brasileiros. Com o nome "cansei", o movimento visa sensibilizar a sociedade brasileira a protestar contra o caos aéreo e a corrupção.

"O propósito dessa articulação é demonstrar a indignação diante de várias questões. É uma sinergia de esforços de profissionais das mais diferentes áreas, todos voluntários, que retratam a indignação dos brasileiros", disse Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

O movimento lança a campanha oficialmente nesta sexta-feira (27) com peças publicitárias que serão veiculadas na TV, rádio e mídia impressa. Os filmes mostrarão pessoas descrevendo situações e fatos que contribuem para a sensação de caos.

A campanha também vai pedir para os brasileiros pararem por um minuto no dia 17 de agosto, quando o acidente com o avião da TAM completará um mês.

"Com o silêncio, a sociedade poderá expressar sua solidariedade e indignação de forma pacífica, equilibrada e organizada", disse D'Urso.

No mesmo dia 17 de agosto, as lideranças do movimento vão se reunir no prédio da TAM Express, na zona sul de São Paulo, para participarem de um ato ecumênico.

O que está acontecendo?

Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, liderado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, conhecido como Cansei, reuniu na praça da Sé cerca de 2.000 pessoas na sexta-feira, 17 de agosto, para protestar contra “o governo paralelo dos traficantes, presidiários falando ao celular, tantos impostos para nada, tanta impunidade, tanta burocracia, ver crianças nas ruas e não nas escolas, bala perdida, tanta corrupção, medo de parar no sinal e, claro, o caos aéreo”.

A data marcava também o primeiro mês do acidente com o avião da TAM em que morreram 199 pessoas. A idéia dos promotores do protesto era “indignação” e fazer “um minuto de silêncio pelo Brasil”. A manifestação mais parecia um show em praça pública. Havia pelo menos cinqüenta homens, funcionários da empresa de segurança Guarda Patrimonial de São Paulo, trabalhando “de graça” para garantir a “ordem do evento”. Eles próprios improvisaram pistas de acesso exclusivas no calçadão lateral à Catedral da Sé para os promotores do ato. Um potente aparelho de som foi colocado nas laterais do palco de 80 metros quadrados armado para a manifestação. Havia também uma ambulância para os primeiros socorros. Quase não se viam policiais militares, sempre presentes nas manifestações públicas.

Dezenas de mulheres tratavam da organização, todas de camiseta preta com a palavra Cansei, e distribuíam adesivos do movimento. Pelo celular elas trocavam impressões sobre o que estaria por vir. Todas trabalham na Doria Associados, do empresário João Doria Júnior, do apresentador do programa de entrevistas Show Business, da Rede TV!, organizador de um concurso do cão mais bonito de Campos do Jordão (apresentado por Ana Maria Braga), e dadivoso homem de negócios que presenteia selecionados profissionais de imprensa com telefones celulares de última geração (João de Barros, Revista Caros Amigos)