quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tema 2º e 1º Col.

UFSCAR 2004

A Justiça Federal decretou ontem a quebra de
sigilo bancário de mais 13 membros do sindicato dos
motoristas e cobradores de São Paulo já presos desde
o início da semana na Superintendência da Polícia
Federal na capital paulista. A decisão é baseada em
pedido do Ministério Público Federal, que comparou as
declarações de renda com a movimentação bancária
dos sindicalistas e alegou serem elas incompatíveis.
(...)
Os presos são investigados por um suposto
esquema de propina que envolveria sindicalistas e
empresários do setor para a realização de paralisações
e greves. Na quinta-feira, todos foram indiciados por
formação de quadrilha, desobediência a ordem judicial
(por não terem mantido parte da frota nas ruas durante
as greves), paralisação de trabalho seguida de violência,
paralisação de trabalho de interesse coletivo,
frustração de direitos trabalhistas e danos ao patrimônio
(por supostas depredações de ônibus). Instruídos
pelos mais de 15 advogados, os sindicalistas só deporão
em juízo.
(Folha de S.Paulo, 24.05.2003.)


O juiz Lalau, condenado por desvio de verbas
do TST, vai para casa de maca cumprir a sua pena no
aconchego do lar e o médico que o atende festeja a
chegada da ambulância na casa no Morumbi, dizendo
que prisão não é lugar para quem está em depressão
profunda. Buáááá!
Por fim, só faltava mais essa: o ex-prefeito
Paulo Maluf é detido em um banco em Paris e obrigado
a passar horas dando explicações às autoridades
fazendárias da França sobre a natureza da operação
bancária que estava pretendendo realizar. Ora, ora!
Será que um turista não pode nem mais entrar em um
banco e fazer umas perguntas? O Maluf tem culpa se
é curioso? Buáááá!
(Barbara Gancia, Folha de S.Paulo, 25.07.2003.)


Se achares três mil-réis, leva-os à polícia; se
achares três contos, leva-os a um banco. Esta máxima,
que eu dou de graça ao leitor, não é a do cavalheiro,
que nesta semana restituiu fielmente dois contos e
setecentos mil-réis à Caixa de Amortização; fato comezinho
e sem valor, se vivêssemos antes do dilúvio, mas
digno de nota desde que o dilúvio lá vai. Não menos
digno de nota é o caso do homem que, depois de subtrair
uma salva de prata, foi restituí-la ao ourives, seu
dono. Direi até que este fica mais perto do céu do que
o primeiro, se é certo que há lá mais alegria por um
arrependimento do que por imaculado.
(Machado de Assis, Crônicas.)


Uma análise ... de ações maliciosas destinadas
a atingir ilicitamente certos objetivos revela uma distinção
entre o que poderíamos chamar de limitação
inerente da malícia e certos exemplos específicos de
sucesso. A limitação inerente da malícia deriva do fato
de que uma conspiração maliciosa exige, de um lado,
uma recompensa satisfatória para os participantes e,
de outro, uma garantia confiável de impunidade. Ora, é
muito rara a combinação desses dois elementos, e
menos ainda em um período mais longo. Por isso, de
modo geral, o comportamento malicioso não se sustenta
por muito tempo — ainda que de algum modo
possa ser sustentado. A malícia é socialmente degradável.
No caso inverso, as ações orientadas no sentido
do interesse geral da sociedade são apoiadas naturalmente
por toda a coletividade, independentemente de
recompensas prometidas; portanto, são socialmente
sustentáveis.
(Adaptado de Hélio Jaguaribe, Um estudo
crítico da História.)


REDAÇÃO

Após a leitura dos textos apresentados, escreva
uma dissertação, que deverá ter como tema:

SER HONESTO: ENTRE A VIRTUDE E A CONVENIÊNCIA.

Sua redação deverá ser redigida em prosa e
obedecer aos padrões da norma culta do português do
Brasil.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mundo digital

Texto 1


Vigilância epistêmica* é a preocupação que todos nós deveríamos ter com relação a tudo o que lemos, ouvimos e aprendemos de outros seres humanos, para não sermos enganados, para não acreditarmos em tudo o que é escrito e dito por aí. É preciso vigiar o futuro para sabermos separar o joio do trigo**.

Hoje boa parte dos sites de busca indexam tudo o que encontram pela frente à internet, mesmo que se trate de uma grande bobagem ou de evidente inverdade. Qualquer opinião emitida, vista como um direito de todos, é divulgada aos quatro cantos do mundo. De fato, alguns desses sites de busca deveriam colocar, nos primeiros lugares, páginas de renomadas Universidades, preocupadas com a verdade.

Todos precisamos estar muito atentos a dois aspectos com relação a tudo o que ouvimos e lemos:


- se quem nos fala ou escreve conhece a fundo o assunto, se é um especialista comprovado, se sabe que está falando;

- se quem nos fala ou escreve, na verdade, é um idiota que ouviu falar algo e simplesmente repassa,aos outros, o que leu e ouviu, sem acrescentar absolutamente nada de útil.

Aumentar nossa vigilância e preocupação com a verdade é necessidade cada vez mais premente num tempo que todos os gurus chamam de Era da Informação.

Discordo, profundamente, desses gurus. Estamos, na realidade, na Era da Desinformação, de tanto lixo e ruído sem significado que, na maior parte das vezes, nos são transmitidos, todos os dias, eletronicamente, sem que exista o menor cuidado com a precisão e seriedade do que se emite, por parte das fontes que colocam matérias na rede. É mais uma conseqüência dessa idéia que a maioria das pessoas tem sobre a liberdade de expressar o que bem quiser, de expressar qualquer opinião que seja, como se opiniões não precisassem se basear no rigor científico, antes de serem emitidas.

Stephen Kanitz, Revista Veja, 03/10/2007. Adaptado.

* Vigilância epistêmica = capacidade de ficar atento e perceber se uma afirmação tem ou não valor científico.

** Separar o joio do trigo = no contexto, capacidade de diferenciar observações equivocadas, mentiras mesmo, de outras afirmações que contêm verdades.



Texto 2


Países se unem em projeto da ONU

Tesouros informativos de vários países estarão disponíveis gratuitamente para qualquer internauta, a partir deste mês, com a formação da Biblioteca Digital Mundial, uma iniciativa da ONU. O portal terá, na primeira fase, mapas, fotografias e manuscritos, com textos explicativos em sete línguas, inclusive português. Na segunda fase, será possível consultar livros. A Biblioteca Nacional brasileira é uma das participantes.

O Estado de S. Paulo, 02/10/2007. Adaptado.



Texto 3


O acesso à Informação (em sua maioria, eletrônica) se tornou o direito humano mais zelosamente defendido. E aquilo sobre o que a informação mais informa é a fluidez do mundo habitado e a flexibilidade dos habitantes. O noticiário – essa parte da informação eletrônica que tem maior chance de ser confundida com a verdadeira representação do mundo lá fora é dos mais perecíveis bens da eletrônica. Mas a perecibilidade dos noticiários, como informação sobre o mundo real, é em si mesma uma importante informação: a transmissão das notícias é a celebração constante e diariamente repetida da enorme velocidade da mudança, do acelerado envelhecimento e da perpetuidade dos novos começos.

Zygmunt Bauman. Modernidade Líquida. Adaptado.


Instrução: Os textos apresentados trazem reflexões e notícias sobre o mundo digital. Com base nesses textos e em outras informações e idéias que julgar pertinentes, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, argumentando de modo claro e coerente.