sexta-feira, 25 de setembro de 2009

IMPESSOALIDADE - 1º e 2º Col.

A impessoalidade nos textos dissertativos

(Associação de Ensino Guararapes )
Todo texto independentemente do gênero textual a que pertence, pode trazer marcas de pessoalidade ou impessoalidade. Quando o autor se apresenta de modo evidente, manifestando-s como locutor, dizemos que o texto é pessoal. Quando há um esforço da parte do autor em se distanciar do assunto abordado, tratando objetivamente dos fatos, dizemos que o texto é impessoal.
Em textos científicos e argumentativos, como a crítica, o editorial, a dissertação, quase se procura escrever com impessoalidade, pois essa característica confere maior credibilidade ao texto, como se ele contivesse verdades universais e indiscutíveis . O texto com marcas de pessoalidade, ao contrário, tende a ser considerado subjetivo e, portanto, menos confiável quanto ao ponto de vista que defende.Leia este excerto de texto argumentativo, que discute a obrigatoriedade do uso de uniforme nas escolas:
“Sempre defendi a idéia de que nossos alunos não devem usar uniforme. Acho que, se a sociedade em que vivemos é marcada pelas diferenças, é natural, pelo menos do meu ponto de vista, que na escola essas diferenças apareçam nas roupas, nos penteados. No meu modo de ver, a democracia está nas pequenas coisas do dia-a-dia; nas discussões que tenho com meus filhos em casa, nas decisões que eu tenho de tomar com minha mulher, e está também na liberdade de escolha de meus filhos quanto à roupa que lês vão usar para ir à escola.”
Nesse excerto, há várias marcas de pessoalidade do discurso, Seja no emprego da 1.ª pessoa e verbos e pronomes (defendi, nossos, vivemos, tenho, meus, eu tenho, minha), seja em expressões, como: Acho que, do meu ponto de vista, No meu modo de ver, é visível o interesse do locutor em relatar a sua visão sobre o assunto, a partir de sua experiência. Trata-se, portanto, de uma visão subjetiva.Compare o excerto lido com este outro, sobre o mesmo assunto:
“Na década de 60, os nossos alunos utilizavam uniforme. Nessa época a escola passou por grandes alterações. Novos métodos de ensino foram implantados. Conceitos como consciência crítica e social, criatividade e respeito a valores comunitários tornaram-se vivos na prática da escola. Optou-se, tam¬bém, pela não-utilização do uniforme. A prática peda¬gógica da escola tem sido construída ao longo do tempo: educandos e educadores são os principais agentes dessa construção. Regras e normas são elabo¬radas e devem refletir a necessidade do grupo, ou seja, estar a serviço desse mesmo grupo. A utilização do uniforme deveria proporcionar benefícios significativos à comunidade escolar.”
(Eduardo Roberto da Silva. Pais & Teens, nov./dez./jan. 1997.)
Observe que, em quase todo o texto, o autor trata do tema de forma distanciada. Sua presença é sentida mais diretamente apenas no emprego da expressão “nossos alunos”. No restante do texto, há uma série de mecanismos lingüísticos que tornam a linguagem impessoal. Veja estes trechos:
1º - “Nessa época a escola passou por grandes alterações. Novos métodos de ensino foram implantados.”
2.º “Conceitos como consciência crítica e social, criatividade e respeito a valores comunitá¬rios tornaram-se vivos na prática da escola.”
3.º - “Optou-se, também, pela não-utilização do uniforme.”
4.º - “Regras e normas são elaboradas e devem refletir a necessidade do grupo, ou seja, estar a serviço desse mesmo grupo.”
Perceba que, no 1.º trecho, o autor afirma que a escola passou por grandes alterações. É eviden¬te que ele se refere à instituição como um todo, o que inclui as pessoas, isto é, os profissionais da educação. Em seguida, afirma que “novos métodos foram implantados”. Quem teria implantado esses métodos?No 2.º trecho, “consciência crítica e social, criatividade e respeito a valores comunitários tornaram-se vivos” para quem? No 3.º, quem teria optado pela não-utilização do uniforme? Os diretores de esco¬la, os pais, os professores, os alunos? No 4.º, as regras e normas escolares foram elaboradas por quem?Como se vê, o autor do 2.º excerto busca conscientemente a impessoalização do texto. Isso o torna mais objetivo e as idéias defendidas ganham maior credibilidade junto ao leitor.Assim, se desejamos conferir maior impessoalidade e objetividade aos nossos textos, devemos substituir expressões como: Eu acho, Na minha opinião, No meu modo de ver, Do meu ponto de vista, etc. por outras como: Convém observar, É bom lembrar, É preciso considerar, Não se pode esquecer, É indispensável, É importante, etc.
Do livro Português: LinguagensWilliam Roberto Cereja e Thereza Cochar MagalhãesAtual Editora

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O valor da informação - 3 col. e curso

http://www.youtube.com/watch?v=jLjXvSVKdAw&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=yRZUrE-16Ys


"Assinantes determinam o valor do EstadãoEm um desdobramento da campanha "Qual o Valor do Conhecimento?", criada pela Y&R, jornal lança uma ação na qual oferece um plano de assinatura em que o leitor escolhe quanto quer pagarOs assinantes do jornal O Estado de S.Paulo receberam dois convites incomuns na edição desta quinta-feira, 18 de junho. Para explorar o mote de sua nova campanha,"Qual é o valor do conhecimento", o veículo usou a estratégia de oferecer aos leitores a chance deles próprios estabeleceram o valor da informação que recebem.Em um desdobramento da ação criada pela Young&Rubican - que marcou o primeiro trabalho da agência desde a conquista da conta, no último mês de maio - o jornal lançou um novo plano de assinaturas no qual o próprio leitor decide quanto pagar para receber, diariamente, o exemplar do Estadão em sua casa durante um mês. Em um anúncio de uma página, o jornal traz a frase "Hoje é você quem decide quanto vai pagar pela assinatura do Estadão" e explica o regulamento da promoção.A ação vale para todos aqueles que aderirem ao plano de assinatura semestral do jornal até o dia 31 de julho. Somente o valor pago no primeiro mês fica a critério do leitor. A estratégia da agência é, de uma maneira prática, ressaltar a qualidade do seu conteúdo jornalístico e mostrar que uma informação bem apurada e embasada possui um valor diferenciado.Além da liberdade no pagamento da assinatura, o jornal também trouxe uma outra ação em sua edição desta quinta-feira, 18. Em uma sobrecapa, o veículo publicou um encarte, com duas entradas para o Museu de Arte de São Paulo (Masp), acompanhadas da mensagem "Você vai dar sua opinião dizendo quanto você acha que vale visitar o Masp". A ideia é fazer com que os leitores recortem os cupons e visitem o museu, pagando a quantia que desejarem na bilheteria. "


Nos últimos tempos, a informação vem sendo consolidada como o bem mais valioso da sociedade.Com o grande avanço tecnológico, científico e a forte participação popular, a produção de informações e o processamento de idéias ganharam uma velocidade incrível, demandando dos meios de comunicação e da comunidade científica um controle bem mais complexo.Em um tempo que, praticamente, para cada problema existe uma solução, que os conceitos de diferentes áreas se confundem e que a velocidade da comunicação atingiu níveis quase instantâneos, ter o mínimo de conhecimento pode ser considerado questão de sobrevivência.Já podendo ser vista como sinônimo de maturidade, como a informação foi tratada durante o progresso da comunicação? Será que podemos dizer que os meios de comunicação possibilitaram que a sociedade participasse mais efetivamente no debate do conhecimento?Na primeira parte mostrei as diferentes formas de expressão, como a informação é gerada, transmitida e recebida. A partir desses princípios básicos, podemos começar a compreender a evolução e seu valor durante a história da humanidade.



A evolução dos meios de comunicaçãoAntes de qualquer coisa, gostaria de me desculpar com os profissionais de comunicação e deixar claro que não tenho a pretensão de entrar em detalhes ou distorcer a história da profissão. Meu objetivo é, de uma forma mais objetiva possível, refletir como que a informação foi vista pela sociedade a medida que a tecnologia avançava e como isso contribui, de alguma forma, com o nosso comportamento nos dias de hoje.Na parte anterior "imaginei" como seriam dois homens da caverna esboçando sua primeira "comunicação". Nessa época, face a vida primitiva e solitária, não haveria necessidade de uma expressão bem definida. A comunicação era feita basicamente através de gestos, gritos e rabiscos. Isso, inevitavelmente, causava conflitos quando uma compreensão mútua não se fazia possível.Por algum motivo, fez-se necessário alguma organização. Com o tempo, os berros individuais foram dando lugar a expressões padronizadas e entendidas por toda a comunidade. Vivendo em harmonia, o homem foi deixando de ser nômade e começou a estabelecer moradia que o fornecesse condições básicas de sobrevivência.Nessa altura, ficar de fora dos padrões seria como não ser aceito. Os ensinamentos seguiam entre gerações a partir dos mais velhos e cansados. Todas as informações de uma geração eram compartilhadas aos mais jovens, inexperientes e ansiosos, criando gerações cada vez mais preparadas para os desafios daquela época.Porém, o processamento e armazenamento das informações se mostraram bastante limitados. O erro aprendido poderia ser perdido com o tempo, pondo em risco toda a comunidade. Naquela época, a falta de experiência os deixavam vulneráveis e qualquer descuido poderia pôr todos em risco.Para um melhor controle do aprendizado, a evolução da escrita foi fundamental. Como transmitir uma mensagem a distância no espaço e no tempo? Como garantir o registro da sociedade na história? Só a escrita seria capaz de garantir que o conhecimento atravessasse gerações com mais segurança. Uma verdadeira biblioteca, fonte de conhecimento.Com a gradativa evolução da escrita, nasceu, mesmo com gravações em tábuas de pedra, a "imprensa" como a melhor alternativa de divulgação em massa das informações da alta sociedade. O advento do papel e da tinta foram primordiais para sua evolução.A evolução que se seguiu dos meios de comunicação e da sociedade propiciou o surgimento da ciência, agricultura, dos correios, do mercado, esporte, da saúde e de inúmeras outras práticas "organizadas" que ainda convivem conosco.Com o grande crescimento das comunidades, a complexidade das guerras e das atividades sociais, era necessário uma comunicação que oferecesse mais segurança e agilidade. O advento dos pulsos elétricos foi primordial para solucionar essa demanda. Assim, surgiram os primeiros comunicadores.Deixando de lado práticas como sinais de fumaça, refletores de luz, o código morse foi bastante difundido pelo telégrafo elétrico. A informação viaja pelas trincheiras de forma instantânea e somente quem entendesse os códigos seriam capazes de interceptar a comunicação. Logo se mostrou ineficaz, mas pode servir de base para outros equipamentos mais sofisticados.A partir de uma evolução natural e utilizando o mesmo recurso foi que surgiu o telefone. A comunicação entre as pessoas começava a se tornar mais dinâmica e "segura". Mesmo se fazendo necessário de grandes investimentos e estruturas complexas, o ganho com a tecnologia era incalculável. Não pode ser considerado como um gerador de informações, mas é fundamental em sua circulação. Sem dúvidas, pode ser considerada como uma das grandes invenções do século XIX.Pouco tempo depois, ondas eletromagnéticas viajavam pelo ar e eram transformadas em ondas sonoras, sinais digitais ou analógicos. O rádio foi o terceiro equipamento capaz de oferecer o receptor de forma popular. Assim, as informações podiam chegar a milhares de pessoas simultaneamente. Devido aos custos de implantação e manutenção, o transmissor ficava a cargo de grandes corporações e governos.Fazendo uso da mesma tecnologia, a televisão transforma as ondas eletromagnéticas não apenas em som, mas também em imagens. Enquanto o rádio trouxe informações sobre as guerras as casas das famílias dos soldados, a televisão reuniu famílias inteiras na sala, atentas para enxergar o mundo que, antes, eram frutos apenas da imaginação. O mundo todo poderia ser visto por um tubo de vidro, dentro da sua casa.Com tantas opções disponíveis, a informação passou a circular com mais velocidade e atingir regiões cada vez mais isoladas dos centros urbanos. O desenvolvimento dessas tecnologias propiciou uma forte inclusão social. Cada vez mais pessoas começavam a enxergar os acontecimentos do mundo.Até aqui, a sociedade agia meramente como expectador e não tinha meios de participar da geração de informações, a não ser que trabalhasse com os meios de comunicação ou fosse cientista. Mas, logo surgiria uma forme de comunicação que seria capaz de convergir todas mudaria essa relação para sempre.A internet e a mudança na nossa posturaFinalmente, o Computador Pessoal (PC) e seu recurso multimídia, nos brindou com a internet, uma rede de comunicação entre computadores do mundo todo, usando a linha telefônica já instituída. Com uma forte convergência de mídias, a comunicação entre os computadores tornou o fluxo de informação ainda mais dinâmico e globalizado.Nos últimos anos, presenciamos uma profunda evolução da computação e da internet, sendo capaz de assumirmos, de forma clara, o controle do transmissor pela primeira vez na história. Mesmo com algumas limitações e riscos, que será melhor abordado na próxima parte, a sociedade começa a ganhar espaço nos meios de comunicação, sendo capaz de participar do processo de ponta a ponta. Cada vez mais pessoas começavam a participar do evolução do mundo.A era da informaçãoAcompanhamos uma profunda transformação na sociedade, principalmente, na forma de pensar. Contudo, perceba que a informação sempre foi determinante no desenvolvimento da sociedade. A capacidade e a maturidade de um povo sempre esteve intimamente ligado ao nível de informação agregada.O que nos difere das civilizações antigas no tratamento da informação não está em sua importância, mas na nossa capacidade de geração, processamento, armazenagem e transmissão. Hoje, o conhecimento não é monopólio dos poderosos e está disponível a sociedade como um todo.Enquanto antigamente a posição social e profissional de uma pessoa já estava definida antes mesmo do seu nascimento e o conhecimento acumulado apenas definia quão bom seria naquilo que a vida o destinou, hoje, o futuro será determinado de acordo com a informação absorvida.Atualmente, o que define a maturidade de um profissional é a quantidade de conhecimento que ele foi capaz de reunir durante toda a sua formação. Além disso, quando esse atinge um nível que o possibilita processar e gerar novas informações, se faz reconhecido e valorizado pela sociedade.Por outro lado, alguns analistas andam preocupados com a forte exclusão digital e a falta de instruções aos mais jovens quanto ao "bom" uso das tecnologias. Afirmam que, com o tempo, poderá haver um grande abismo entre indivíduos bem informados, e, outros, totalmente excluídos e deficientes de informação.Mais uma vez, a melhor solução para uma era chamada de "da informação" é fazer da escola o berço de todo o conhecimento e oferecer aos "adultos em formação" as condições necessárias de participarem da sociedade com dignidade e respeito.


Os Meios de Comunicação

Por outro lado, os meios de comunicação são os responsáveis por dividir a programação em público (e seu respectivo poder aquisitivo) e horários, o que está intimamente ligado aos patrocinadores, que financiam tal programação através do intervalo comercial: ou seja, o conteúdo, a forma e o horário do programa são nada além de uma marca do patrocinador, mera imagem de sua empresa. O vínculo entre a verba oferecida pelos patrocinadores às emissoras de rádio e televisão é tão alto que tudo o que se noticia deve estar de acordo com o que agrada aos financiadores: assim, o direito à informação (que, em teoria, seria independente e imparcial) desaparece, dissipa-se. A desinformação atua por:
Falta de referência espacial (o espaço real é substituído pelo virtual, onde São Paulo, China, São Carlos e a Europa parecem igualmente próximos e, ao mesmo tempo, identicamente distantes);
Ausência de referência temporal (sem continuidade no tempo, causa ou conseqüências).
A substituição do mundo real por um mundo virtual, composto de retalhos e fragmentos da realidade, sem âncoras no espaço e no tempo. Esta inversão entre realidade e ficção é notável principalmente nas novelas, através de três procedimentos ideologicamente trabalhados:
O tempo da narração é lento, dando a ilusão que cada curto capítulo fosse um dia de nossas vidas;
As personagens, seus hábitos, linguagem, casas, etc., passam a impressão de um realismo tão grande para que a distância entre o espectador e a novela seja a mínima. Embutido nisso, estão as marcas dos produtos e os modos de vida e de pensar que se divulgam na novela;
Assim, a novela passa por relato do real, enquanto o noticiário (que perdeu as referências temporais e espaciais) torna-se irreal. A prova disso são telespectadores que se comovem em demasia com a morte de uma personagem, enquanto um desastre real em algum lugar do mundo (seja na Rússia ou na Vila Pureza) passa por ouvintes inertes e insensíveis ao fato.
A realidade dos telejornais é passada como algo distante e irreal, enquanto as novelas emocionam o país como se fossem problemas reais que afetam a todos.
Mais um detalhe importante enquanto função da mídia contemporânea na deformação de mentes e intelectos: a dispersão da atenção e a infantilização. A mídia divide a programação em blocos de sete a onze minutos, separados por intervalos comerciais. Essa divisão do tempo condiciona o espectador a concentrar sua atenção durante os sete ou onze minutos e a desconcentrá-la durante a pausa publicitária. A atenção e a concentração, a capacidade de abstração intelectual e o exercício do livre pensar foram destruídos. Enquanto isso, a mídia também infantiliza seu público, pois uma atitude declaradamente infantil é não suportar a distância temporal entre seu desejo e a satisfação deste: uma criança chora muito exatamente porque é intolerável para ela a espera para realizar seus desejos.
E, assim, a mídia vem com promessas de gratificação instantânea. Cria o desejo ao mesmo tempo em que oferece seus produtos (através da publicidade e da programação) para satisfazê-los. Se um canal ou uma estação de rádio não atraem, gira-se o dial, troca-se de canal e logo se tem novamente desejos e produtos para satisfazê-los. Também a programação se volta a modelos já consagrados, ao que já sabe-se e gosta-se, e como temos a Cultura como lazer e entretenimento, a mídia satisfaz exatamente nossos desejos mais primitivos, por não exigir atenção, concentração, crítica ou reflexão. Cultura cobra paciência, reflexão, concentração e espírito crítico, em outras palavras, maturidade. A mídia satisfaz por nada cobrar, a não ser que permaneçamos sempre infantis.
No cinema, assim como em toda arte, é possível notar como filmes de qualidade são taxados de chatos e cansativos (por exigir reflexão e maturidade), enquanto as bilheterias de Hollywood fazem fortunas com lazer e entretenimento medíocre.
Mais um de seus traços característicos é um Autoritarismo disfarçado, sob falsa aparência de Democracia. Programas de aconselhamento sempre trazem a opinião de um especialista, que ensina como cuidar dos filhos, como criar cabras, como ver um jogo de futebol, um filme, uma foto, como viver e como pensar. Mas, ao tornar o público infantil, esta postura está carregada de intimidação social, pois o espectador, dócil e passivo, não só é ausente de crítica como acaba absorvendo os hábitos "recomendados" sem qualquer reflexão, tornando-se incompetente para viver e agir sem o apoio do especialista da mídia.
Perversa. Assim é a mídia, enquanto formadora de opinião de nosso país.

Material de senso comum e coerência textual - 2 Col.

O que é o senso comum ?
Na nossa vida quotidiana necessitamos de um conjunto muito vasto de conhecimentos, relacionados com a forma como a realidade em que vivemos funciona: temos que saber como tratar as pessoas com as quais nos relacionamos, temos que saber como nos devemos comportar em cada uma das circunstâncias em que nos situamos no nosso dia-a-dia: a forma como nos comportamos em nossa casa é diferente da forma como nos comportamos numa repartição pública, numa discoteca, num cinema, na escola, etc. Estamos também rodeados de sistemas de transporte, de informação, de aparelhos muito diversos, com os quais temos que saber lidar. De facto, para apanharmos o comboio, por exemplo, temos que saber muitas coisas: o que é um comboio e a sua função, como se entra numa estação, como se compra o bilhete, como devemos esperar o comboio, etc.
Estes conhecimentos, no seu conjunto, formam um tipo de saber a que se chama senso comum.
O senso comum é um saber que nasce da experiência quotidiana, da vida que os homens levam em sociedade. É, assim, um saber acerca dos elementos da realidade em que vivemos; um saber sobre os hábitos, os costumes, as práticas, as tradições, as regras de conduta, enfim, sobre tudo o que necessitamos para podermos orientar-nos no nosso dia-a-dia: como comer à mesa, acender a luz de uma sala, acender a televisão, como fazer uma chamada telefónica, apanhar o autocarro, o nome das ruas da localidade onde vivemos, etc.,etc...
É, por isso, um saber informal, que se adquire de uma forma natural (espontâneo), através do nosso contacto com os outros, com as situações e com os objectos que nos rodeiam. É um saber muito simples e superficial, que não exige grandes esforços, ao contrário dos saberes formais (tais como as ciências) que requerem um longo processo de aprendizagem escolar.
O senso comum adquire-se quase sem se dar conta, desde a mais tenra infância e, apesar das suas limitações, é um saber fundamental, sem o qual não nos conseguiríamos orientar na nossa vida quotidiana.
Sendo assim, torna-se facilmente compreensível que todos os homens possuam senso comum, mas este varia de sociedade para sociedade e, mesmo dentro duma mesma sociedade, varia de grupo social para grupo social ou, também, por exemplo, de grupo profissional para grupo profissional.
Mas, sendo imprescindível, o senso comum não é suficiente para nos compreendermos a nós próprios e ao mundo em que vivemos, pois se na nossa reflexão sobre a nossa situação no mundo, nos ficarmos pelos dados do senso comum, por assim dizer os dados mais básicos da nossa consciência natural, facilmente caímos na ilusão de que as coisas são exactamente aquilo que parecem, nunca nos chegando a aperceber que existe uma radical diferença entre a aparência e a realidade. Somos, imperceptivelmente, levados a consolidar um conjunto solidário de certezas, das quais, como é óbvio, achamos ser absurdo duvidar ( o texto da ficha 3 (chama-lhes "crenças silenciosas"): temos a certeza de que existimos, de que as coisas que nos rodeiam existem, que aquilo que nos acontece é irrefutável, etc...
Contudo essas certezas são questionáveis, pois se baseiam em aparências. E há muitas aparências que se nos impõem com uma força quase irresistível, por exemplo: aparentemente o Sol move-se no céu (não é verdade que esta foi uma convicção aceite, durante muitos séculos, pela comunidade científica?). Podemos mesmo aprender a medir o tempo a partir desse movimento aparente. Mas, na realidade, esse movimento aparente do Sol é gerado pelo movimento de rotação da terra.
Mas esta distinção entre aparência e realidade, da qual não nos podemos libertar por causa da nossa natureza (ou melhor, da constituição dos nossos órgãos sensoriais e do nosso sistema nervoso), está dependente da diferença que existe entre o conhecimento sensível e o conhecimento racional.
O conhecimento que temos através dos sentidos é forçosamente incompleto e filtrado, pois os nossos órgãos receptores só são estimulados por determinados fenómenos físicos, deixando de lado um campo quase infinito de possíveis estímulos (por exemplo, os nossos olhos não captam quer a radiação infravermelha, quer a radiação ultravioleta, ao passo que há seres vivos que o podem fazer, o mesmo se passando com os ultra-sons). É portanto inquestionável que não conhecemos, sensorialmente, a realidade tal como ela é.
Sendo assim, os sentidos parece que nos enganam, pois os dados que nos fornecem acerca da realidade são insuficientes para alcançarmos um conhecimento verdadeiro, ou objectivo, da mesma.
Por isso a Razão permite-nos alcançar conhecimentos que nunca poderíamos alcançar através dos sentidos.

As principais características do senso comum

Carácter empírico – o senso comum é um saber que deriva directamente da experiência quotidiana, não necessitando, por isso de uma elaboração racional dos dados recolhidos através dessa experiência.

Carácter acrítico – não necessitando de uma elaboração racional, o senso comum não procede a uma crítica dos seus elementos, é um conhecimento passivo, em que o indivíduo não se interroga sobre os dados da experiência, nem se preocupa com a possibilidade de existirem erros no seu conhecimento da realidade.

Carácter assistemático – o senso comum não é estruturado racionalmente, tanto ao nível da sua aquisição, como ao nível da sua construção, não existe um plano ou um projecto racional que lhe dê coerência.

Carácter ametódico – o senso comum não tem método, ou seja, é um saber que não segue nenhum conjunto de regras formais. Os indivíduos adquirem-no sem esforço e sem estudo. O senso comum é um saber que nasce da sedimentação casual da experiência captada ao nível da experiência quotidiana ( por isso se diz que o senso comum é sincrético).

Carácter aparente ou ilusório – Como não há a preocupação de procurar erros, o senso comum é um conhecimento que se contenta com as aparências, formando por isso, uma representação ilusória, deturpada e falsa, da realidade.

Carácter colectivo – O senso comum é um saber partilhado pelos membros de uma comunidade, permitindo que os indivíduos possam cooperar nas tarefas essenciais à vida social.

Carácter subjectivo – O senso comum é subjectivo, porque não é objectivo: cada indivíduo vê o mundo à sua maneira, formando as suas opiniões, sem a preocupação de as testar ou de as fundamentar num exame isento e crítico da realidade.

Carácter superficial – O senso comum não aprofunda o seu conhecimento da realidade, fica-se pela superfície, não procurando descobrir as causas dos acontecimentos, ou seja, a sua razão de ser que, por sua vez, permitiria explicá-los racionalmente.

Carácter particular – o senso comum não é um saber universal, uma vez que se fica pela aquisição de informações muito incompletas sobre a realidade ( por isso também se diz que ele é fragmentário ), não podendo, assim, fazer generalizações fundamentadas.

Carácter prático e utilitário – O senso comum nasce da prática quotidiana e está totalmente orientado para o desempenho das tarefas da vida quotidiana, por isso as informações que o compõem são o mais simples e directas possível.

Texto complementar:

"O senso comum é um saber que está presente em todas as sociedades e em todos os indivíduos (todos são dotados de senso comum). Mas o senso comum é plural, variando de sociedade para sociedade e modificando-se com o decorrer dos tempos.
O senso comum, enquanto princípio de sociabilidade, constitui o acordo mínimo exigível para que qualquer sociedade funcione como tal; ele assegura a coesão indispensável para que se possa falar de comunidade e de vida colectiva.
Ele é princípio de equilibração, essencial a toda a sociedade, entre a dimensão do indivíduo e a dimensão do colectivo ou dito de outra forma, da sujeição do indivíduo às normas da vida colectiva.
O senso comum é também o senso tradicional. Costumamos dizer: "sempre foi assim" para justificar um procedimento que nos criticam.
O senso comum transporta e naturaliza um conjunto de convenções implícitas ou intrínsecas ao agir humano colectivamente dimensionado. Neste sentido, ele é conducente ou solidário de uma aceitação que assinala uma passividade inerente e indispensável face às exigências práticas e pragmáticas da vida. Como se adquire o senso comum? Ele é fruto da aprendizagem e educação que espontânea e/ou institucionalmente recebemos enquanto membros de uma comunidade."



O senso comum é visto como a compreensão de todas as coisas por meio do saber social, ou seja, é o saber que se adquire através de experiências vividas ou ouvidas do cotidiano. Engloba costumes, hábitos, tradições, normas, éticas e tudo aquilo que se necessita para viver bem. No senso comum não é necessário que haja um parecer científico para que se comprove o que é dito, é um saber informal que se origina de opiniões de um determinado indivíduo ou grupo que é avaliado conforme o efeito que produz nas pessoas. É um saber imediato, subjetivo, heterogêneo e acrítico, pois se conforma com o que é dito para se realizar, utiliza várias idéias e não busca conhecimento científico para ser comprovado. De maneira espontânea e sem querer as pessoas utilizam o senso comum a quase todo o momento: Ex: Quando se está com o intestino preguiçoso e a vizinha diz que ameixa e mamão é bom para ajudar o intestino, o que é que se faz? Corre para casa e se empanturra de ameixa e mamão. Isso é senso comum, a utilização de um método criado a partir de uma experiência natural. O senso comum difere-se em alguns aspectos com a ciência, pois a ciência busca a verdade em todas as coisas por meio de testes e comprovações, enquanto o senso comum é utilizado antes mesmo que se saiba se o método empregado traz o que se espera. A ciência é objetiva, busca critérios, avalia, busca leis de funcionamento, reúne a individualidade existente em cada lei para formar uma só estrutura e isso sem procurar semelhança entre elas, se renova, se modifica e busca sempre se firmar no conhecimento.


Marilena Chaui
“Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.”(Marilena Chaui)



Coerência textual


A definição encontrada em um dicionário para coerência é: Coerência: [s.f.] 1. qualidade, condição ou estado de coerente; 2. ligação, nexo ou harmonia entre dois fatos ou duas idéias; relação harmônica, conexão. Dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa.


A construção textual deve ser a construção de um todo compreensível aos olhos do leitor. A coerência textual é o instrumento que o autor vai usar para conseguir encaixar as “peças” do texto e dar um sentido completo a ele.
Cada palavra tem seu sentido individual, quando elas se relacionam elas montam um outro sentido. O mesmo raciocínio vale para as frases, os parágrafos e até os textos. Cada um desses elementos tem um sentido individual e um tipo de relacionamento com os demais. Caso estas relações sejam feitas da maneira correta, obtemos uma mensagem, um conteúdo semântico compreensível.
O texto é escrito com uma intencionalidade, de modo que ele tem uma repercussão sobre o leitor, muitas vezes proposital.
Em uma redação, para que a coerência ocorra, as idéias devem se completar. Uma deve ser a continuação da outra. Caso não ocorra uma concatenação de idéias entre as frases, elas acabarão por se contradizerem ou por quebrarem uma linha de raciocínio. Quando isso acontece, dizemos que houve um quebra de coerência textual.
A coerência é um resultado da não contradição entre as partes do texto e do texto com relação ao mundo. Ela é também auxiliada pela coesão textual, isto é, a compreensão de um texto é melhor capturada com o auxílio de conectivos, preposições, etc.

Vejamos alguns exemplos de falta de coerência textual:

“No verão passado, quando estivemos na capital do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto que chegou a nevar”

“Estão derrubando muitas árvores e por isso a floresta consegue sobreviver.”

“Todo mundo viu o mico-leão, mas eu não ouvi o sabiá cantar”

“Todo mundo destrói a natureza menos todo mundo”

“Podemos notar claramente que a falta de recursos para a escola pública é um problema no país. O governo prometeu e cumpriu: trouxe várias melhorias na educação e fez com que os alunos que estavam fora da escola voltassem a freqüentá-la. Isso trouxe várias melhoras para o país.”

A falta de coerência em um texto é facilmente detectada por um falante da língua, mas não é tão simples notá-la quando é você quem escreve. A coerência é a correspondência entre as idéias do texto de forma lógica.
Quando o entendimento de determinado texto é comprometido, imediatamente alguém pode afirmar que ele está incoerente. Na maioria das vezes esta pessoa está certa ao fazer esta afirmação, mas não podemos achar que as dificuldades de organização das idéias se resumem à coerência ou a coesão. É certo que elas facilitam bastante esse processo, mas não são suficientes para resolver todos os problemas. O que nos resta é nos atualizarmos constantemente para podermos ter um maior domínio do processo de produção textual.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009