quarta-feira, 29 de abril de 2009

Laboratório 3º, 2º e Extensivo

A proposta foi baseada no tema da Fuvest 2004, que trazia várias concepções sobre o tempo. Juntamente com isso, apresentamos alguns modelos de como desenvolver a argumentação no texto dissertativo.

A apresentação está disponível neste endereço:

http://docs.google.com/Present?docid=dhnbhvht_0f6twrqd2&hl=en

E o link para o vídeo do clipe de "Futuros Amantes", de Chico Buarque, se encontra aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=LOwQLarDhvI

Boa produção!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Laboratório do 1º colegial - 24/04

A televisão brasileira nos bombardeia diariamente com um conteúdo de qualidade discutível e, de certa forma, manipulador. Entretanto, poucos se dedicam a analisar tal situação, o que gera, inegavelmente, uma alienação da sociedade.
Pensando nisso, utilizamos um vídeo que busca, por meio do humor, chamar a atenção para essa realidade que a TV brasileira vive e que certamente somos figuras relevantes nesse cenário.


O vídeo se encontra no endereço http://www.youtube.com/watch?v=d8fyYAOKsCo e está disponível para visualização.

A partir do vídeo e da discussão realizada em sala, foi pedido um texto dissertativo, em prosa, acerca do tema:

A QUALIDADE DA TV BRASILEIRA

Laboratório do 3º e extensivo 23/04

A atividade realizada consistia em cada aluno desenvolver um parágrafo específico da dissertação - introdução, desenvolvimento e conclusão - a partir de um outro parágrafo criado pelo colega. O objetivo era adequar uma ideia, um ponto de vista, a partir de algo já criado, com características distintas e, daí em diante, constituir o texto como um todo.

O tema para tal atividade foi: A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Tema - 2 Colegial 16/04/09


(UFRGS) Por que falar do amor? Não basta amar? A resposta é não. Em qualquer idade, o amor, a paixão entre duas pessoas é algo maravilhoso, mas quanto mais conhecermos a estrutura desse sentimento e das emoções que lhes são relacionadas, melhor poderemos vivê-las, tanto na adolescência quanto em outros momentos da vida.
Pois bem, hoje com o tipo de vida que levamos, com a tecnologia de ponta, com a globalização levam as pessoas a serem mais céticas e mais distantes, deixando esse sentimento – o amor - em segundo plano. Você deve redigir um texto dissertativo onde conste a sua opinião a respeito dessa emoção.
Amor entre dois pólos: a renúncia ou a aceitação desse sentimento.

Projeto de texto e modelos de introdução

O projeto de texto

INTRODUÇÃO

1. O quê? Matéria tratadaà assunto à tema à ponto de vista à TESE

DESENVOLVIMENTO


2. Por quê? Razão – objetivo
3. Para quê? Objetivo – finalidade
4. Causas
5. Conseqüências
6. Circunstâncias: como? De que maneira?
7. Analogias = comparações
8. Prós – argumentos a favor
9. Contras – argumentos contrários
10. Análise: situação atual

CONCLUSÃO


11. Síntese
12. Soluções
13. Conclusão

Recursos introdutórios:

DADOS RETROSPECTIVOS
As primeiras manifestações de comunicação humana, nas eras mais primitivas, foram traduzidas por sons que expressavam sentimentos de dor, alegria ou espanto. Mais tarde...

CITAÇÃO
O assunto ... pode ser analisado a partir das palavras de ... quando afirma que “...”

PERGUNTA
Será a chamada música popular brasileira verdadeiramente popular e verdadeiramente brasileira?

DADO GEOGRÁFICO
Na zona sul de São Paulo, a Sabesp interrompeu o fornecimento de água para a realização de manutenção no reservatório Jabaquara.

DADOS ESTATÍSTICOS
Naquela cidade de ... mil habitantes, cerca de ...% freqüentam as salas escolares, o que atesta a preocupação das autoridades com o nível de instrução de seus moradores.

NARRATIVA
Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de Novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras. (Machado de Assis)
FRASE DECLARATIVA
O artista contemporâneo, diante de um mundo fundamentalmente complexo e agitado, tem por missão traduzir o mais fielmente possível essa realidade.

IDEIAS CONTRASTANTES
Enquanto os grandes salões de automóveis exibem o que há de melhor no cenário automobilístico, os marginais da sociedade caminham quilômetros por dia em busca de uma oportunidade para melhorar de vida.

à O MAIS IMPORTANTE É QUE NA INTRODUÇÃO DE UMA DISSERTAÇÃO APAREÇA O TEMA, O PONTO DE VISTA, A TESE, ALGUMA REFERÊNCIA, ENFIM, AO ASSUNTO DA REDAÇÃO.

Atividades

Enumere os parágrafos de acordo com a ordem natural da dissertação.

( ) Todavia, o desenvolvimento do capitalismo permitiu o ingresso da mulher no mercado de trabalho e fez com que o filho passasse a significar despesa. Com isso, houve uma forte queda na taxa de natalidade nas últimas décadas, resultando em uma força contrária à progressão populacional. A respeito disso, Bem Wattenberg diz que “o capitalismo é o melhor anticoncepcional”.
( ) Até a metade do século XX, o crescimento populacional possuía uma razão elevada se comparada aos dias atuais. Isso fez com que a soma dos termos ocasionasse a chamada explosão demográfica. Entretanto, os especialistas afirmam que uma inversão de sinais da razão populacional ocasionará o contrário no século XXI, uma implosão demográfica.
( ) Portanto, a situação por que passa a população mundial constitui um paradoxo, uma explosão como conseqüente implosão demográfica, o que gera graves problemas sociais e crises no sistema público em geral. Desde já, os Estados devem tomar medidas a fim de evitar sérias conseqüências.
( ) Várias foram as causas do rápido desenvolvimento da progressão populacional no século passado. Os avanços na área de saneamento e saúde permitiram ganho de longevidade à população. Com isso, mais pessoas atingiram a idade fértil, aumentando a soma total dos termos.
( ) A implosão demográfica resultará no risco à continuidade da evolução no crescimento da população. A brusca queda dos termos ocasionará déficit no mercado de trabalho e graves problemas sociais. Essa situação requer atitudes dos governos a fim de evitá-la.

Padrões sociais e liberdade do indivíduo

REDAÇÃO
INSTRUÇÃO: Leia os seguintes trechos.

Não se pode ser sem rebeldia
Eu acho que os adultos, pais e professores, deveriam compreender melhor que a rebeldia, afinal, faz parte do processo da autonomia, quer dizer, não é possível ser sem rebeldia. O grande problema está em como amorosamente dar sentido produtivo, dar sentido criador ao ato rebelde e de não acabar com a rebeldia. Tem professores que acham que a única saída para a rebelião, para a rebeldia é a punição, é a castração.
Eu confesso que tenho grandes dúvidas em torno da eficácia do castigo. Eu acho que a liberdade não se autentica sem o limite da autoridade, mas o limite que a autoridade se deve propor a si mesma, para propor ao jovem a liberdade, é um limite que necessariamente não se explicita através de castigos. Eu acho que a liberdade precisa de limites, a autoridade inclusive tem a tarefa de propor os limites, mas o que é preciso, ao propor os limites, é propor à liberdade que ela interiorize a necessidade ética do limite, jamais através do medo. A liberdade que não faz uma coisa porque teme o castigo não está “eticizando-se”. É preciso que eu aceite a necessidade ética, aí o limite é compromisso e não mais imposição, é assunção. O castigo não faz isso. O castigo pode criar docilidade, silêncio. Mas os silenciados não mudam o mundo. (Paulo Freire, Pedagogia dos sonhos possíveis. Org.Ana M.A. Freire. Editora Unesp)

Autoridade em Ética
Pode-se dizer, em tese, que a essência da ética provém da pressão da comunidade sobre o indivíduo. O homem pouco tem de gregário, e nem sempre sente, instintivamente, os desejos comuns a sua grei. Esta, ansiosa para que o indivíduo aja no seu interesse, tem inventado vários artifícios com o fim de harmonizar os interesses individuais com os seus próprios. Um destes é o governo, outro é a lei e o costume, e o outro é a moral. A moral torna-se uma força eficiente de duas maneiras: primeiro, através do louvor e da censura dos que o cercam e das autoridades; e segundo, através do autolouvor e da autocensura, os quais são chamados de “consciência”. Por meio destas várias forças — governo, lei, moral — o interesse da comunidade se faz sentir sobre o indivíduo. [...] Chego agora a meu último problema, que se relaciona com os direitos do indivíduo, em contraposição aos da sociedade. A ética, nós o dissemos, é parte de uma tentativa para tornar o homem mais gregário do que a natureza o fez. As pressões que a moral exerce sobre o indivíduo são, pode-se dizer, devidas ao gregarismo apenas parcial da espécie humana. Mas isto é uma meia verdade. Muitas de suas melhores cousas vêm do fato de não ser ela completamente gregária. O homem tem seu valor intrínseco, e os melhores indivíduos fazem contribuições para o bem geral que não são solicitadas e que, muitas vezes, chegam a sofrer reação por parte do resto da comunidade. É, pois, uma parte essencial da busca do bem geral, o permitir aos indivíduos liberdades que não sejam, evidentemente, maléficas aos outros. É isto que dá origem ao permanente conflito entre a liberdade e a autoridade, e estabelece limites ao princípio de que a autoridade é a fonte da virtude. (Bertrand Russell. A sociedade humana na ética e na política.
Título original: Human society in Ethics and Politics.
Tradução de Oswaldo de Araujo Souza. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 1956)


Lisbon Revisited
(1923)
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem
conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
(Fernando Pessoa, Ficções do Interlúdio/4:
poesias de Álvaro de Campos)



PROPOSIÇÃO
A atuação do homem na sociedade, mediada por padrões e modelos de comportamento e sujeita a atritos e tensões entre os interesses da comunidade e os dos indivíduos, pode assumir as mais variadas formas, que vão do puro e simples enquadramento até à mais exacerbada rebeldia. Os dois trechos apresentados focalizam essa questão sob os pontos de vista pedagógico (Paulo Freire) e ético (Bertrand Russell). Tomando como base de reflexão, se achar necessário, os textos mencionados, a letra de Raul Seixas e o poema de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), bem como sua própria experiência e opinião, escreva uma redação de gênero dissertativo sobre o tema
OS PADRÕES SOCIAIS E A LIBERDADE DO INDIVÍDUO

Mudanças no vestibular

MEC quer substituir vestibular de federais por novo Enem

Com alterações, Exame Nacional do Ensino Médio se tornaria seleção unificada para instituições de todo o País.
O Ministério da Educação propõe nesta quarta-feira, 25, aos reitores das universidades federais que o vestibular seja substituído por um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O estudante faria, em qualquer Estado, teste com validade nacional e escolheria curso e instituição segundo a nota obtida.

Atualmente, cada universidade realiza seu processo seletivo com provas e datas diferentes. No novo formato, o Enem abordaria mais disciplinas e teria mais questões - hoje são 63 de múltipla escolha e redação. O exame incluiria questões dissertativas e objetivas, além de poder cobrar uma parte específica, direcionada a áreas como ciências, para candidatos a Medicina. Alguns cursos poderiam fazer uma segunda fase.A proposta é semelhante à forma de seleção do Programa Universidade para Todos (ProUni). Nele, o aluno escolhe curso e instituição com base na nota do atual Enem, com mínimo de 45 pontos. As linhas gerais que o MEC propõe também são semelhantes ao que ocorre nos Estados Unidos. Lá, cada universidade determina a quantidade de pontos no teste, chamado Scholastic Assessment Test (SAT), para que o candidato possa ter chances de ingressar na instituição. O exame é nacional e cobra inglês, matemática e redação. Com a pontuação mínima, o candidato passa por entrevista e envio de currículo.

Mobilidade
A mudança, se aceita pelos reitores, será válida só para as federais e permitirá que um aluno tente várias instituições ao mesmo tempo, sem ter que fazer vários vestibulares. Além disso, permitirá que um candidato do Acre estude em São Paulo e vice-versa, aumentando a mobilidade. Hoje, para que isso aconteça, o aluno precisa sair de seu Estado para fazer o vestibular no local determinado pela universidade escolhida. Apesar de o MEC ter passado a ideia de que os reitores das federais já concordaram em ter o Enem pelo menos como uma primeira etapa dos vestibulares, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) diz que o assunto nem mesmo começou a ser debatido. "O tema até agora não está na pauta dos reitores. Vamos ouvir a proposta do ministro (Fernando Haddad) e analisá-la", diz o secretário executivo da Andifes, Gustavo Balduíno. O ministro reúne-se hoje com os reitores em Brasília.Uma das resistências é o atual formato do Enem, considerado pouco abrangente quando comparado à seleção feita pelas federais. O modelo final do novo Enem não está definido. Ontem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ainda trabalhava em uma proposta para apresentar aos reitores. O princípio que Haddad pretende adotar prevê uma prova que analise competências e habilidades, como o Enem, e não só conteúdos, como o atual vestibular.O ministro reclama que as atuais seleções não avaliam se o aluno aprendeu, o que reflete na qualidade do ensino médio. A mudança pode levar à aproximação com o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, que mede as mesmas habilidades do Enem, com mais conteúdo.As universidades têm autonomia para definir seu processo seletivo, por isso o MEC precisa do apoio delas para conseguir implantar a proposta. A prova nacional, porém, não agrada a todos. Em São Paulo, reitores da Unifesp, UFSCar e UFABC se reuniram para discutir, entre outros temas, a possibilidade de um vestibular único para as três federais paulistas.


Entenda as propostas do MEC para o novo Enem

Prova unificaria o vestibular das universidades federais, tendo validade nacional
O Ministério da Educação propôs nesta quarta-feira, 25, aos reitores das universidades federais que o vestibular seja substituído por um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O estudante faria, em qualquer Estado, teste com validade nacional e escolheria curso e instituição segundo a nota obtida.


Apesar de o MEC ter passado a ideia de que os reitores das federais já concordaram em ter o Enem pelo menos como uma primeira etapa dos vestibulares, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) diz que o assunto nem mesmo começou a ser debatido. Uma das resistências é o atual formato do Enem, considerado pouco abrangente quando comparado à seleção feita pelas federais.

Entenda as propostas para o novo Enem:

Unificação: O vestibular seria substituído por uma única prova, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ampliado

Prova nacional: A prova valeria para todo o País. O estudante poderia fazer o teste em qualquer Estado e se candidatar às diferentes universidades federais do Brasil. Hoje cada universidade realiza seu processo seletivo com provas e datas diferentes

Escolha posterior: O aluno não precisaria optar por um curso ao se inscrever. Ele faria a prova geral e, com o resultado, poderia decidir o curso que prefere

Segunda fase: Alguns cursos poderiam ter uma segunda fase, com uma avaliação de habilidades específicas da profissão escolhida. A necessidade seria definida pela concorrência e grau de conhecimento necessário para o curso

Mais questões: A prova do Enem seria maior. Hoje são apenas 63 questões e uma redação

Complexidade: As questões passariam a incluir respostas dissertativas, além das de múltipla escolha

Mais áreas: A avaliação contaria com conteúdos específicos, além das questões de conhecimentos gerais

Mobilidade: Mudança permitiria que um candidato do Acre estudasse em São Paulo e vice-versa, aumentando a mobilidade. Hoje, para que isso aconteça, o aluno precisa sair de seu Estado para fazer o vestibular no local determinado pela universidade escolhida


Faculdades federais podem ter vestibular único neste ano

A proposta de um vestibular unificado para as universidades federais pode começar a vigorar ainda neste ano. Essa é a intenção do ministro da Educação, Fernando Haddad. Se os reitores concordarem, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009, já modificado, seria aplicado em outubro. O modelo também poderia incluir qualquer instituição de ensino particular que queira aderir. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo antecipou ontem, o Ministério da Educação planeja ampliar o Enem e torná-lo uma prova nacional de seleção para todas as universidades federais. O modelo que está sendo pensado no MEC inclui uma ampliação do Enem. Hoje, são 63 questões objetivas e uma redação. ?Queremos uma prova que combine o vestibular e o Enem, corrigindo as distorções. O Enem pergunta bem, mas carece de conteúdos. O vestibular tem conteúdo, mas distorce na hora de perguntar. Queremos julgar a capacidade analítica do estudante?, disse Haddad.Ontem, em reunião com a direção e a comissão de desenvolvimento acadêmico da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a proposta foi apresentada pela primeira vez a um grupo de reitores das federais. ?Não vejo objeção para que isso seja feito, mas vai necessitar de um grande esforço do MEC e do Inep. Será necessário que as universidades participem de todo o processo?, avaliou o presidente da Andifes, Amaro Lins.


Vestibular da Unesp muda e terá duas fases

Os candidatos a uma vaga na Universidade Estadual Paulista (Unesp) terão de enfrentar, a partir deste ano, um vestibular com duas fases. Além disso, os aprovados para a 2ª fase terão de responder a questões dissertativas de todas as disciplinas. Outra novidade é que o resultado do Enem terá mais peso na nota final - de 4% para 10% da nota nos cursos em que não há prova de habilidades. A mudança, antecipada com exclusividade pelo jornal O Estado S. Paulo no início do mês, foi aprovada ontem pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da instituição. A única alteração em relação à proposta original é que, em vez de a 2ª fase ser realizada em apenas um dia, será realizada em dois, totalizando três dias de provas. A diretora acadêmica da Fundação Vunesp, Tânia Azevedo, explica que o objetivo é aproximar a prova da realidade do ensino médio, cujo conteúdo é determinado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN?s). As questões deixarão de ser divididas por matéria, valorizando a interdisciplinaridade, e serão organizadas em três eixos: linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências da natureza, matemática e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias. O vestibular da Universidade de São Paulo também pode mudar a partir deste ano. A proposta, em discussão no Conselho de Graduação da instituição, prevê que as provas da 2ª fase tenham questões de todas as disciplinas e que a nota da 1ª fase não seja considerada na nota final. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Fuvest estuda mudar vestibular

Outra medida adotada pela USP para estimular o ingresso do aluno de escola pública será modificar o formato da Fuvest a partir deste ano, conforme revelou o Estado na segunda-feira.Documento elaborado por representantes da reitoria e de algumas unidades propõe que a primeira fase deixe de contar pontos para a nota final e que a segunda etapa tenha questões de todas as disciplinas. A expectativa é de que as modificações sejam aprovadas até maio. Segundo o documento, o objetivo é que a primeira fase seja "visualizada como um filtro de acesso para a segunda fase" e que "a segunda fase passe a ser disputada por candidatos de escolas públicas e particulares, que partirão das mesmas condições iniciais". A USP argumenta que a mudança pode reduzir a influência do preparo em cursinhos pré-vestibulares, inacessíveis aos alunos da rede pública.


Entenda as mudanças propostas para o vestibular da Fuvest

USP pretende tornar-se mais acessível para alunos de escolas públicas com novas propostas para vestibular

A Universidade de São Paulo (USP) estuda mudar o formato de seu vestibular a partir desse ano. No ano passado, 138 mil estudantes se inscreveram para a Fuvest, o número mais baixo registrado nos últimos 11 anos. Portanto, a universidade estuda meios de voltar a atraís alunos e de tornar seus cursos mais acessíveis para estudantes de escolas públicas. As mudanças devem ser votadas até maio para que as mudanças possam ser feitas já no vestibular do fim do ano.

Primeira Fase

Como é: Prova de 90 questões que vale o equivalente à metade da nota final do candidato

Como fica: Continua com o mesmo número de questões, só que deixaria de contar pontos na nota global do aluno. Ela serviria apenas como um "filtro de acesso para a segunda fase", segundo o documento da universidade.

Dessa forma, ainda segundo o texto, "a segunda fase passa a ser disputada por candidatos de escolas públicas e particulares, que partirão das mesmas condições iniciais". A USP ainda argumenta que a mudança pode reduzir a influência do preparo em cursinhos pré-vestibulares "que investem em treinamento intensivo para lidar com provas objetivas" e que não são acessíveis aos estudantes carentes.

Segunda Fase

Como é: a única prova obrigatória para todos os candidatos é a prova de português e redação, sendo que as outras provas (todas de dez questões dissertativas) são sempre relacionadas à carreira escolhida pelo aluno.

Como fica: deve passar a ser feita em três dias para todos os candidatos. O primeiro teria português e redação para todos. O segundo dia seria composto de 18 questões dissertativas de física, química, matemática, biologia, geografia e história. O último dia teria dez questões também dissertativas de apenas duas disciplinas ligadas ao curso escolhido pelo candidato.

Outra novidade é que a USP quer que a prova foque cada vez mais em competências e habilidades em vez de conteúdo apenas. Por isso, além dos 10% da 1ª fase, 6 das 18 questões da 2ª etapa serão interdisciplinares.

"Hoje, dependendo do curso, o estudante tem de fazer dez questões de química, por exemplo. Para um aluno de escola pública, é melhor ter menos perguntas dissertativas de uma área que ele não domina", avalia a coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes.

Desde 1977, quando foi criado, o vestibular da Fuvest já teve vários formatos. Mas a mudança maior ocorreu em 2006, quando a reitora Suely Vilela criou o programa de inclusão da USP (Inclusp). Com a intenção de aumentar o número de alunos de escolas públicas na universidade, então em 20%, esse grupo passou a ganhar bônus no exame.

Foram dados 3% para todos os estudantes de escola pública e 6% para os que, dentre eles, fizeram o Enem. Outros 3% vieram do desempenho em uma avaliação no fim do ensino médio. A prova foi feita em 2008, mas não há garantia de que será realizada neste ano.

O próprio vestibular como tema

(VUNESP) Leia os textos abaixo e, a seguir, elabore um texto dissertativo em que você explicite sua opinião sobre a necessidade da realização do concurso vestibular para ter acesso à universidade, desenvolvendo argumentos adequados para defender seu ponto de vista. Dê-lhe um título. Não ultrapasse 30 linhas.

Texto 1

“A faculdade, hoje, é tábua de salvação das famílias de classe média, que não conseguem acumular bens e precisam recompor seu patrimônio a cada geração”, explica a socióloga Gisela Taschener, da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Atualmente, 8% dos brasileiros possuem diploma universitário”. “A universidade é valorizada porque, no mundo de hoje, o capital do cidadão médio é sua escolaridade”, completa Gisela. Para as famílias que se equilibram com dificuldade entre a prestação da casa e a possibilidade de trocar o carro no final do ano, a faculdade dos filhos é o único patrimônio que se pode deixar. Para os filhos das famílias humildes, o diploma é uma das poucas esperanças de ascensão social. (Veja, Escravos da Angústia, 12/11/1997)

Texto 2

O vestibular, embora considerado injusto por muitos, especialmente aqueles indolentes e incapazes de superá-los, é um instrumento democrático, que proporciona aos concorrentes igualdade de condições.
(Vladimir Antonini, Curitiba, PR, Veja, Cartas, 19/11/97)

Texto 3

Considero o vestibular a maior prova de ineficácia do sistema educacional brasileiro. Não se pode analisar um nível de conhecimento em apenas “uma tarde de domingo”. Principalmente porque estão presentes aspectos emocionais que podem ser decisivos. (Rodrigo Frank de Souza Gomes, Fortaleza, CE, Veja, Cartas, 19/11/97)

Texto 4

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, há um teste depois do 2º grau, mas a avaliação depende de várias outras coisas, entre elas o histórico escolar, cartas de recomendação e o resultado de entrevistas na universidade. (...) Na França, quem conclui o 2º grau tem direito à faculdade desde que seja capaz de agüentar o ritmo puxado dos estudos superiores, responsável pelo abandono do curso por mais da metade dos matriculados. (Veja, Escravos da Angústia, 12/11/97)

Vestibular, um mal necessário

O vestibular privilegia os candidatos pertencentes às classes mais favorecidas economicamente.
Os candidatos que estudaram em escolas com infra-estrutura deficiente, como as escolas públicas do Brasil, por mais que se esforcem, não têm condições de concorrer com aqueles que freqüentaram bons colégios.
Mesmo que o acesso à universidade fosse facilitado para candidatos de condição financeira inferior, o problema não seria resolvido, pois a falta de um aprendizado sólido, no primeiro e segundo graus, comprometeria o ritmo do curso superior. As diferenças entre as escolas públicas e privadas são as verdadeiras responsáveis pela seleção dos candidatos mais ricos.

Estupro e Excomunhão

Arcebispo diz que suspeito de violentar menina não pode ser excomungado
Religioso condenou mãe e médicos envolvidos em aborto.Imprensa italiana diz que Vaticano apoia decisão.
O caso da menina de 9 anos que interrompeu a gravidez de gêmeos causou comoção e revolta. A repercussão foi ainda maior pela reação da Igreja Católica ao aborto provocado pelos médicos. O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a mãe e a equipe médica envolvida no procedimento.
Nesta sexta-feira (6), o arcebispo disse que o padrasto, suspeito de violentar a menina e ser pai dos bebês, não pode ser excomungado. "Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão", afirmou Sobrinho. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente." A equipe que participou do aborto está recebendo e-mails de médicos do país inteiro. Foram mais de 500 mensagens de apoio até a manhã desta sexta. Para os especialistas, não havia dúvida sobre a necessidade de interromper a gravidez e, sobre essa conduta, não cabe intervenção da Igreja.
O médico Rivaldo Albuquerque, que participou do atendimento, já havia sido excomungado antes. Ele entrou em choque com a Igreja Católica desde que participou da criação de um serviço de atenção às mulheres violentadas, que faz o aborto nos casos previstos por lei. Católico praticante, ele disse que não vai deixar de assistir à missa. Quem é excomungado fica proibido de receber sacramentos como batismo, comunhão, crisma e casamento.
Repercussão
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota em que destaca o mandamento "não matarás" e reforça as críticas feitas ao aborto.
A imprensa italiana publicou, nesta sexta, reportagens afirmando que o Vaticano apóia a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar os envolvidos na interrupção da gravidez de uma menina de 9 anos.
O site do jornal italiano "Corriere della Serra" mostra um texto sobre o caso. Em entrevista, o padre Gianfrancesco Grieco, diretor do Pontifício Conselho para a Família, disse que o tema é "muito, muito delicado", mas a Igreja não pode "trair" seus princípios de defender a vida desde a concepção até a vida natural, mesmo diante de "um drama humano tão forte".
Ainda de acordo com o texto, o padre disse que "o aborto não é uma solução, é um atalho" e reprovou a atitude dos médicos.
Alta
A gravidez da criança foi descoberta na semana passada, depois que ela reclamou de dores e foi levada a uma unidade de saúde. Os médicos classificaram a gestação de 15 semanas como de alto risco, pela idade e por ser de gêmeos. Segundo os médicos, a mãe pediu para que o aborto fosse realizado.
O padrasto da menina foi preso, suspeito de ter abusado da garota e ser pai dos bebês que ela esperava. Ele deve ser indiciado por estupro. De acordo com a polícia, a menina sofria violência sexual desde os 6 anos. A menina teve alta nesta sexta-feira e passa bem, segundo o diretor do hospital em que ela estava internada, Sérgio Cabral. Ela e a mãe devem ser encaminhadas para um abrigo no Recife, por determinação do Ministério Público. Elas não devem voltar imediatamente para Alagoinha (PE), onde moravam.
O Presidente brasileiro Lula da Silva criticou hoje a Igreja por ter excomungado a mãe e os médicos que fizeram uma interrupção de gravidez a uma menina de 9 anos, grávida de gémeos, depois de violada pelo padrasto.

Autorizado pela Constituição, que admite a interrupção da gravidez em caso de estupro ou de risco de vida para a mãe, o aborto foi feito quarta-feira num hospital público do Recife e a garota teve alta hoje. O procedimento foi duramente criticado pelo arcebispo de Recife e Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou da Igreja Católica a mãe da menina e todos os profissionais envolvidos no aborto.
A excomunhão é o castigo mais grave da Igreja católica e o crente excomungado fica proibido de receber sacramentos como o batismo, comunhão, crisma ou casamento.
O Presidente Lula da Silva disse hoje que "lamenta profundamente a atitude conservadora" do bispo.
"Não é possível permitir que uma menina violada por um padrasto tenha esse filho, até porque a menina corria risco de vida. Neste aspecto, a Medicina está mais correta que a Igreja", afirmou.
O ministro brasileiro da Saúde, José Gomes Temporão, considerou que, do ponto de vista da saúde pública, "a conduta dos médicos foi absolutamente correta".
Temporão disse ainda estar impressionado com os dois acontecimentos: a agressão à menina de 9 anos e a posição do arcebispo de Recife e Olinda.
Contactada pela agência Lusa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, entidade máxima da Igreja Católica no país, informou que ainda não se manifestou sobre o assunto porque o seu presidente está no estrangeiro mas que deverá divulgar uma nota em breve.
Para o padre doutor Vicente Ferreira Lima, presidente do Tribunal Eclesiástico de Divinópolis, Minas Gerais, o Código de Direito Canônico não deixa dúvidas:
"Quem provoca o aborto incorre em excomunhão `latae sententiae`, ou seja, excomunhão automática", afirmou o especialista em Direito Canônico hoje à agência Lusa, lembrando que isto não se aplica à menina, por ela ser menor.
Na avaliação do padre Lima, todas as pessoas que advogam a favor da garota são "incoerentes", porque "se esquecem das duas vidas que foram ceifadas com o aborto".
"A ciência médica, com todo o avanço que atingiu na atualidade e com os meios de que dispõe não teria como assistir esta menor? Além disso, ninguém colocou o dedo na chaga - a questão social, que origina todos estes problemas", assinalou.
A menina que foi violada vive numa família pobre e desestruturada.
A mãe separou-se do pai há três anos e passou a viver com o desempregado Jaílson José da Silva, de 23 anos, que abusava também de sua outra filha de 14 anos, deficiente.
Os médicos não sentem qualquer arrependimento e disseram que a mãe, com apenas 33 quilos e 1,36 metros de altura, poderia morrer se levasse a gravidez dos gêmeos até ao fim.
"Esta criança poderia, no mínimo, ficar estéril ou até morrer. Ela poderia sofrer ruptura de útero, hemorragia, eclâmpsia ou parto prematuro, pois não tinha condições de levar a gestação até o fim", destacou a médica Fátima Maia, diretora do Centro Integrado de Saúde, onde foi feito o aborto.
A população brasileira divide-se sobre o assunto.
"Eu sou contra o aborto e acho que a Igreja agiu certo. Aborto é pecado. Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém", disse à Lusa, em Brasília, a doméstica Joselita Rodrigues.
"Eu sou totalmente favorável ao aborto neste caso, porque a menina podia morrer. O padrasto tem que ser condenado a uma pena muito dura, com ampla divulgação, para coibir a ação de outros tarados. Ele é quem deveria ser excomungado", contrapôs o aposentado luso-brasileiro Nélson Villares, que reside em São Paulo.
O padrasto da menina está numa penitenciária de Caruaru, Estado de Pernambuco, e pode ser condenado a mais de 15 anos de prisão em regime fechado.
A garota não sabe que fez um aborto e pensa ter sido internada por causa de parasitas intestinais. Ela, a irmã e a mãe, que não desconfiava que o companheiro abusava das filhas, foram transferida hoje para um abrigo.
O endereço não foi revelado para preservar a privacidade das vítimas.

Arte X Mercado

O dado decisivo do panorama mundial nas últimas décadas é o fundamentalismo do mercado. Uma certa concepção de alta cultura - e de alta literatura - que tínhamos até há pouco pereceu. A rapidez inerente às transações do mercado na contemporaneidade tornou-se solo adverso a elas, como observou Pierre Bourdieu, ao lembrar a passagem de tempo necessária à sua maturação: decênios, gerações, séculos.Ainda bem que existem bibliotecas e museus, nada impedindo que o prazer trazido pela arte e pela literatura, que hoje só existem na conjugação do pretérito, seja revisitado com assiduidade. Os paradigmas assim preservados nos impedem de decretar que o espírito humano só frutifica em banalidade e esqualidez. Entretanto, tampouco deixamos de constatar a democratização que se operou paralelamente ao lento esboroar-se da alta cultura, resultando na constituição de um mercado de trabalho para os artistas e na transformação da obra de arte em mercadoria.A grande reviravolta nesse rumo foi, como se sabe, a invenção da imprensa. Depois do livro, assistiu-se a uma aceleração das possibilidades de reprodução a que nenhuma das artes escapou; e permaneceriam impensáveis para as massas, não fosse toda essa tecnologia que copia, barateia e põe ao alcance.

Democratização versus degradação
E é aqui que parece residir a falácia. Uma lógica perversa viria a imperar, privilegiando o investimento em novidades que, devido a sua facilidade e baixo custo, degradariam cada vez mais o gosto do cidadão. Foi assim que os produtores agiram, enquanto se justificavam dizendo dar ao povo o que ele queria. E não o contrário: os produtores é que se empenharam numa campanha de deseducação, infantilizando o público (caso do cinema), imbecilizando-o (caso da televisão), tratando seu ouvido como penico, na célebre frase de Nana Caymmi (caso da música), analfabetizando-o (caso da literatura). A tal ponto que certos gêneros perderam a razão de ser, porque vieram a faltar artistas e cultores. O que se passou com a cultura e a literatura brasileiras nas últimas décadas é parte integrante desse processo.
A partir dos anos 60, o mercado foi ampliando seus domínios, até impor a hegemonia da indústria cultural, televisão à frente. É fato já estudado que esse veículo goza no Brasil de uma ascendência que não possui em outros quadrantes. Presente em 87% dos lares, conta com uma das mais altas médias horárias por espectador. E, também à diferença de outros países, oferece os maiores salários tanto para atores e escritores quanto para diretores ou técnicos: seus profissionais fazem teatro e cinema nas horas vagas, por esporte ou, como se diz com maior pertinência, por amor à arte.
(Folha de S. Paulo, 17/3/2002)
Pena
Fernando Aniteli

O poeta pena
Quando caí o pano e o pano cai
Um Sorriso por ingresso
Falta assunto falta acesso
Talento traduzindo em cédula
E a cédula tronco é cédula mãe solteira
O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Acordes em oferta
Cordel em promoção
A prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação
E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Lá si dó me um sol em mi menor
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
A porcentagem e o verso
Rifa, tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão
O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
Meu museu em obras
Obras em leilão
Atalhos retalhos e sobras
A matemática da arte em papel de pão
E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Lá se abre um sol em mim maior
Mecenato
Mecenato é um termo que indica o incentivo e patrocínio de artistas e literatos, e mais amplamente, de atividades artísticas e culturais. O termo deriva do nome de Caio Mecenas (68 a.C. - 8 a.C.), um influente conselheiro de Otávio Augusto que formou um círculo de intelectuais e poetas, sustentando sua produção artística. O comportamento de Mecenas tornou-se um modelo e vários governos valeram-se de artistas e intelectuais para melhorar a própria imagem. O termo mecenas, nos países de línguas neolatinas, indica uma pessoa dotada de poder ou dinheiro que fomenta concretamente a produção de certos literatos e artistas. Num sentido mais amplo, fala-se de mecenato para designar o incentivo financeiro de atividades culturais, como exposições de arte, feiras de livros, peças de teatro, produções cinematográficas, restauro de obras de arte e monumentos.
Esse tipo de incentivo à arte se tornou prática comum no período renascentista, que buscava inspiração na Antiguidade grega e romana, e vivenciava um momento de pujança econômica com o surgimento da burguesia.
(Wikipedia)
FUNDO DA ARTE E DA CULTURA (FAC)
A Secretaria de Cultura regulamentou os apoios e patrocínios, oferecendo por meio da Portaria n.º 5 vários mecanismos para o apoio e o patrocínio de artistas e eventos culturais. Estes mecanismos incluem concessão de serviços gráficos, sonorização, iluminação, palco, hospedagem, passagem, liberação de locais e áreas, fretes, empréstimo de equipamentos e figurinos, montagens de exposições, postagens de impressos entre outros.
O Fundo financeiro composto por recursos oriundos de contribuição da iniciativa privada, por meio de acordo firmado com a Secretaria da Fazenda e Planejamento do DF para patrocinar artistas e atividades culturais. Através da reformulação da Lei de Incentivo, o Fundo de Apoio à Cultura (FAC) foi regulamentado a partir de 2000 e tem sido um mecanismo efetivo de fomento e difusão das artes no Distrito Federal.
O FAC busca apoiar projetos nas mais diversas áreas culturais como dança, teatro, folclore, artesanato, cinema e vídeo, fotografia, literatura, música, artes plásticas e patrimônio histórico. O retorno dos projetos apoiados à comunidade do Distrito Federal se dá por meio das contrapartidas oferecidas em cada projeto. Quando é editado um livro, um percentual destes exemplares é destinado às bibliotecas públicas do DF; quando da edição de um CD, os artistas realizam, no mínimo, três apresentações gratuitas em instituições e espaços comunitários.
Também são patrocinados cursos de formação de mão-de-obra cultural nas mais diversas áreas, contribuindo com a geração de renda, onde os artistas e demais profissionais possibilitam o auto-emprego e proporcionam oportunidade para que outros trabalhem. Um dos principais objetivos do FAC é apoiar projetos que atendem aos moradores das cidades satélites. Nestes locais, acontecem constantemente oficinas de dança, de artesanato, artes plásticas, entre outras, além de uma extensa programação cultural. (http://www.sc.df.gov.br/paginas/a_secretaria/a_secretaria_06.htm)
Proposta de Redação
O contato direto entre a arte e o capital, seja nas suas mais variadas formas, é assunto presente e muito discutido entre críticos, jornalistas, artistas e interessados no mundo artístico e em suas tendências. Nesse sentido, a coletânea apresenta diversos pontos de vista sobre a influência da moeda na produção artística.
Baseando-se em sua experiência e nos textos apresentados nesta prova, escreva uma redação, no gênero dissertativo, sobre o seguinte tema:

Capital e Arte: APOIO NECESSÁRIO OU INFLUÊNCIA DEPRECIATIVA?

Violência urbana (Carta do Luciano Huck)

O apresentador Luciano Huck foi assaltado na quinta-feira, dia 27 de Setembro, em São Paulo. De arma na mão os ladrões levaram o relógio dele. Esse episódio de violência gerou uma carta indignada dele que saiu no jornal Folha de São Paulo:Luciano Huck foi assassinado. Manchete do Jornal Nacional de ontem... E eu (Luciano), algumas páginas à frente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.
Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.
Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.
Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Mas a situação está ficando indefensável.
Passei um dia na cidade e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário.Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o Comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam para o infinito.
Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV Diverte e a ONG que presido têm um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.
Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso?
Hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar. Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.

Pensamentos de um "correria"
FERRÉZ
ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto. Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos. Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada. O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga. Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita. Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal. Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito. Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber. Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado? Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém. Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não! Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto. Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora. Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso. Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo. A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos! Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa. Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou. No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.

REGINALDO FERREIRA DA SILVA , 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de "Capão Pecado", romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de "Ninguém é Inocente em São Paulo", entre outras obras.