segunda-feira, 19 de abril de 2010

Lab. 1 colegial

R E D A Ç Ã O

INSTRUÇÃO: Leia atentamente os seguintes textos.

Ex-prisioneiro iraquiano diz que sua honra foi esmagada

Bagdá - Haider Sabbar Abed aponta para a foto de um prisioneiro

nu, com um capuz e as mãos atrás da cabeça. “Este sou

eu”, identifica. Abed foi um dos sete prisioneiros iraquianos

que aparecem em fotos em posições humilhantes. As imagens

estão no centro de uma tempestade sobre abusos cometidos

por guardas dos EUA na prisão Abu Ghraib, de Bagdá. As

denúncias de abuso criaram revolta no mundo árabe, irritaram

o Congresso dos EUA e fizeram o presidente George W. Bush

prometer uma investigação e a eventual punição dos culpados.

Mas Abed, 36 anos – olhando para as fotos mostradas em todo

o mundo – disse hoje que uma investigação não servirá de

nada para ele. “Vai restaurar minha honra? Minha dignidade

foi esmagada”, afirmou ele à Associated Press. “Bush disse

que (os guardas) serão punidos, mas quem garante? Seriamente,

você acredita que eles serão?”

Nas fotos primeiro mostradas pelo Washington Post e a revista

New Yorker, prisioneiros são mostrados nus, com guardas

ridicularizando-os e forçando-os a ficar em posições humilhantes.

Os presos têm as cabeças cobertas com capuz, mas

Abed se reconheceu nas fotos por tatuagens que tem no corpo.

“Minha mente está afogada com essas memórias ...”, afirmou.

Abed diz ter sido preso porque estava de carona num carro

que foi parado pelos soldados americanos. O motorista, segundo

ele, não tinha documentos. Ambos acabaram detidos.

(estadao.com.br, 06.05.2004.)

Abu Ghraib é aqui

SÃO PAULO - Deu na Anistia Internacional, a respeitada organização

de defesa dos direitos humanos sediada em Londres:

as torturas generalizadas nas delegacias e prisões do Brasil

são comparáveis às praticadas mundo afora na chamada “guerra

ao terror” dos EUA, tão criticada pelo governo brasileiro.

Eu acho que as torturas aqui são piores. São brasileiros torturando

brasileiros na nossa também falida “guerra ao crime”,

sem que nenhuma autoridade mova uma pedra para efetivamente

mudar a situação, sem que a sociedade civil mostre

horror diante do conhecido fato, sem que o Congresso brasileiro,

como ocorre com o dos EUA, investigue a fundo o flagelo

de pardos, pretos e pobres em nossas jaulas. Mesmo o massacre

de 111 detentos no Carandiru, em 1992, passou impune.

Ninguém até hoje cumpriu pena pelas mortes. E o coronel que

comandou a operação elegeu-se deputado por São Paulo.

Pela sua total inoperância no plano interno, o governo Lula

projeta na sua política externa todo o seu mofado esquerdismo

ideológico, amparado na razoável eficiência do Itamaraty.

Assim, apega-se à sanguinária figura de Fidel, chancela a política

de direitos humanos da China e vê nos EUA um inimigo

político, apesar de o país do norte ser o maior comprador de

nossos produtos e um dos maiores investidores em nosso país.

Minha sugestão é que o melhor que a esquerda ainda tem a

oferecer desde a queda do Muro de Berlim, seu humanismo,

seja antes de tudo aplicado aqui mesmo no Brasil.

E que Frei Betto, como assessor especial do presidente Lula,

que no domingo escreveu artigo nesta Folha denunciando as

torturas praticadas por soldados americanos contra iraquianos

na prisão de Abu Ghraib, visite a delegacia mais próxima e

faça um outro artigo para denunciar os torturadores daqui.

Talvez suas palavras tenham alguma repercussão.

(Sérgio Malbergier. Folha de S.Paulo, 27.05.2004.)

Proposição

A tortura a judeus e a pessoas que questionavam a religião

católica, durante a Inquisição, a tortura nos campos de

concentração nazistas, as torturas a dissidentes ou oposicionistas

a regimes ditatoriais ou totalitários no mundo moderno

(inclusive durante o regime militar de 64 a 85 no Brasil), a

tortura a prisioneiros de guerra no Iraque, a tortura praticada

“oficialmente” em delegacias de polícia e outros órgãos policiais,

todos estes procedimentos se identificam pela negação

dos direitos fundamentais da pessoa humana. Os textos que

serviram de base às questões de números 08 a 10, assim como

os textos acima, colocam, sob diferentes pontos de vista e em

diferentes lugares e contextos históricos, a questão do emprego

da tortura por instituições para obter confissões, adesões

ou, mesmo, para punir pessoas resistentes a determinada religião,

ideologia ou regime político que se quer impor pela força.

Releia os textos mencionados e, a seguir, faça uma redação

em prosa, de gênero dissertativo, sobre o tema abaixo,

que constitui a transcrição literal do artigo 5.o da Declaração

Universal dos Direitos do Homem, aprovada e proclamada

pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro

de 1948:

NINGUÉM SERÁ SUBMETIDO A TORTURA NEM A PENAS OU TRATAMENTOS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Adeus, Lenin

Adeus, Lenin! (2003) fez muito sucesso no circuito alternativo e passa-se numa fase muito importante no cenário da política Alemã e Mundial: os prós e contras da queda do Muro de Berlim. Do lado Oriental, os mais novos aceitando e querendo essa globalização, conhecendo os prazeres do consumismo jovem e a liberdade para assuntos; os mais velhos, mais conservadores contra essa mistura, alguns por seu comodismo, outros por ainda acreditarem nos ideais.

O diretor
deste filme Wolfganger Becker, em seu primeiro filme como diretor, ''Borboletas'', de 1987, ganhou o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, responsável também pelos trabalhos "A Vida é um Canteiro de Obras" (1997) e ''Bem-Vindo a São Paulo'', filme coletivo dedicado a Abbas Kiarostami e também para comemorar os 450 anos da cidade de São Paulo, foi apresentado na 28ª Mostra de São Paulo

O filme "Adeus, Lenin!" recebeu os seguintes prêmios:
- o Goya na categoria de Melhor Filme Europeu.
- 6 prêmios no European Film Awards, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Daniel Brühl), Melhor Roteiro, Melhor Diretor - Prêmio do Público, Melhor Ator - Prêmio do Pùblico (Daniel Brühl) e Melhor Atriz - Prêmio do Público (Katrin Sab).
- o prêmio Blue Angel, no Festival de Berlim.


Adeus, Lenin!


(Good Bye, Lenin!)
Produção: Alemanha - 2003
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 121 min.
Classificação: 14 anos
Distribuidora: Imagem, Sony
Direção: Wolfganger Becker

Elenco: Daniel Brühl,Katrin Sab, Chulpan Khamatova, Maria Simon, Florian Lukas, Alexander Beyer, Burghart Klaußner, Michael Gwisdek, Christine Schorn, Jürgen Holtz, Jochen Stern, Stefan Walz, Eberhard Kirchberg, Hans-Uwe Bauer, Nico Ledermüller
Site Oficial: www.good-bye-lenin.de

Sinopse: O filme mais assistido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e premiado em diversos festivais, Adeus Lenin! conta, com muito humor, a história de uma família que vive durante a queda do muro de Berlim (1989), na Alemanha Oriental. Alexander (Daniel Brühl) é um filho dedicado que tem sua mãe, Sra. Kerner (Katrin Sab), em coma quando ela presencia o filho protestar contra o regime político e ser preso pela polícia pouco antes da queda do muro de Berlim. Ela acorda em sua cidade, Berlim Oriental, que está sensivelmente modificada, depois de oito meses muito debilitada, sem poder sofrer qualquer emoção. Seu filho Alexander, temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos. Desesperado e igualmente criativo, ele faz de tudo para esconder a situação do país de sua mãe. Entre suas peripécias, conta com a ajuda da irmã, dos vizinhos e até de um editor de vídeos.

Segue o link para o trailer do filme, mas infelizmente não encontramos em português.

http://www.youtube.com/watch?v=i7EB47ENNV0

Democracia - 3º col. e Curso










A Democracia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual. Uma democracia pode existir num sistema presidencialista ou parlamentarista, republicano ou monárquico”.



Modificar (Dead fish)

E então veio 1985 e o sonho por liberdade voltou.
E por todas as ruas o povo gritava louco por Diretas já.
Já era hora se fez o tempo, aqueles tempos foram escuros demais.
Toda a esperança vinha das ruas e não havia como perder.
Mas desta vez fomos logrados
por um colégio eleitoral,
transição segura fria e lenta
para os que estavam no poder.
E nosso sonho por saúde e educação
se foi
largado pra depois.
E os militares que esperávamos que um dia iriam pagar
continuam no poder.
Então veio 88,
foi determinado agora sim poderíamos votar/escolher.
Mas um ano depois percebemos o quão estávamos enfraquecidos.
Corações e mentes agora guiados (ordenados) por uma tela de TV.
Nossa vontade já não existia pois agíamos como zumbis.
Pagamos caro pela ilusão,
o moderninho nos enganou.
E enquanto retia nossa poupança
roubava mais que os ladrões.
E nosso sonho por um dia sermos iguais
se foi,
foi deixado pra depois.
E os corruptos que esperávamos que um dia iriam pagar
acabavam de se eleger.
Quando vieram os anos 90
e o caos e o cinza tomou conta de tudo.
Salvadores de pátria agora não iriam mais ajudar.
Não há mais culpados nem inocentes, agora todos irão pagar.
Mas na guerra sublimada aleijados e analfabetos ainda tentam modificar









“Do ponto de vista da ambientação histórica, o enfrentamento pela democratização da gestão educacional e conseqüente participação da comunidade nos espaços de decisão e planejamento da escola, tanto no Ensino Médio, como no Ensino Fundamental origina-se com a luta pela abertura da sociedade brasileira no final dos anos 70 e ao curso de toda década de 80. Constituísse, hoje, como uma referência sócio-histórica dos movimentos sociais contra-hegemônicos que representam os professores, os estudantes e as bases populares.


Neste contexto, verificava-se um amplo processo de mobilização nacional. A expressividade das greves de 1978 e 79 das mais diversas categorias, em especial, a dos metalúrgicos da região do ABC paulista anunciava que a ordem de dominação autoritária chegava ao limite do que a população podia suportar. A luta, que inicialmente, tinha um forte apelo econômico, em torno da tensão capital versus trabalho se constituiu, sem dúvida, como o instrumento alicerce em prol da democratização da sociedade brasileira. A organização dos trabalhadores para construção do movimento repercute favoravelmente na formação de uma consciência política rebelde que não mais aceitará os ditames da ordem social estabelecida.


Não pretendo ressuscitar uma abordagem economicista clássica filiada ao paradigma do conflito para entender os embates políticos travados durante o Regime Militar. Seria uma simplificação grosseira da trama histórica. Nesta linha, não conseguiríamos abraçar a repercussão que a organização social teve na escola, objeto central dessa discussão. É sabido que o movimento por uma gestão escolar democrática não passa exclusivamente por um viés econômico. Busca-se uma escola que vise à inclusão do sujeito no mundo do trabalho, mas que também, seja um espaço de formação integral do cidadão. Então, o embate econômico-corporativo é o passo inicial que se explicita para consciência cidadã do povo brasileiro nesta conjuntura.”



(Dissertação de mestrado Universidade Federal da Bahia)



Na política houve um grande acontecimento encerrando a década, a primeira eleição direta para presidente da republica apos de mais de 20 anos. Isto foi lindo com a democracia de volta, embora quem venceu não convenceu. Foi a vitória dos despolitizados e da televisão.”


Marx afirma, na Crítica da filosofia do direito de Hegel, que "a democracia é o enigma resolvido de toda constituição" (Marx, 1992a [1843], p. 87). Mais do que conceber a democracia como um enigma, Marx a concebe como um "enigma resolvido" (aufgelöste Rätsel). Um enigma resolvido é aquele que se sabe ser a solução do próprio problema para o qual aponta. Trata-se de um conceito que contém em si simultaneamente um enigma e a solução capaz de decifrá-lo. Na qualidade de enigma resolvido de toda constituição, a democracia marxiana apresenta-se como resposta para os problemas levantados pelas formas políticas. O principal destes problemas, de acordo com Marx, diz respeito à contradição entre o Estado e a sociedade civil. É este, afinal, o enigma da modernidade política, que o mais astuto dos discípulos de Hegel soube logo cedo diagnosticar. Ao romper com seu mestre e recusar à política qualquer forma de mediação, Marx faz de seu conceito de verdadeira democracia (wahre Demokratie) a resolução do enigma colocado pelo Estado moderno.

Isso explica por que "na democracia o Estado abstrato deixa de ser o momento governante" (Idem, p. 89). Quando a democracia atinge a sua verdade, ela supera a si mesma, encontrando sua real expressão no processo de desvanecimento do Estado e da sociedade civil – única solução possível para dois extremos reais que, como tais, não admitem mediação. Com a superação (Aufhebung) destes, o político encontra-se definitivamente com o social, e nenhuma relação de subordinação ou dependência passa a ser possível entre uma e outra esfera. No entanto, a realização da democracia foi modernamente concebida na forma de um "Estado democrático": uma aliança impertinente entre dois termos inconciliáveis, afinal "todas as formas de Estado têm a democracia como sua verdade e por esta razão elas são falsas, na medida em que não são a democracia" (Idem, ibidem).

O Estado que desvanece com a verdadeira democracia consiste na forma ilusória daquela que deve ser a comunidade política real (wirklich Gemeinschaft), ou seja, ele é um produto da alienação política. As "falsas democracias", ou as democracias que não são verdadeiras, necessariamente coincidem com uma forma de Estado, seja ela aristocrática, monárquica ou republicana. A verdadeira democracia, por sua vez, não se identifica com nenhuma dessas formas e, ao contrário, se insurge em oposição a elas. A concepção de democracia de Marx é concomitantemente uma democracia para além do Estado (Avineri, 1968, p. 38) e contra o Estado (Abensour, 1998 [1997]) e, nesse sentido, ela rejeita todas as formas políticas que acompanham a moderna idéia de Estado. Por isso, o principal pressuposto do pensamento político de Marx é justamente o de que a contradição entre o Estado e a sociedade civil deve ser superada para que, então, se possa encontrar o verdadeiro significado da democracia. E isso implica pensar a política para além do Estado; ou melhor, isso implica conceber uma outra forma de organização política que possa servir de lugar à democracia.

Não estamos falando sobre a democracia real que a Europa inteira apressa-se em adotar e que consiste em uma democracia bastante especial, diferente de todas as democracias anteriores. Estamos falando sobre uma democracia bastante diferente que representa o meio-termo entre as democracias grega, romana, americana e francesa; em resumo, estamos falando sobre o conceito de democracia. Não estamos falando sobre as coisas que pertencem ao século XIX, e que são ruins e efêmeras, mas sobre categorias que são eternas e que existiam antes de "as montanhas serem sido criadas". Em suma, não estamos discutindo aquilo sobre o que se tem falado, mas uma coisa bastante diferente (Engels, 1845, p. 3).


Confira os links para os vídeos apresentados no laboratório: