quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mudanças no vestibular

MEC quer substituir vestibular de federais por novo Enem

Com alterações, Exame Nacional do Ensino Médio se tornaria seleção unificada para instituições de todo o País.
O Ministério da Educação propõe nesta quarta-feira, 25, aos reitores das universidades federais que o vestibular seja substituído por um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O estudante faria, em qualquer Estado, teste com validade nacional e escolheria curso e instituição segundo a nota obtida.

Atualmente, cada universidade realiza seu processo seletivo com provas e datas diferentes. No novo formato, o Enem abordaria mais disciplinas e teria mais questões - hoje são 63 de múltipla escolha e redação. O exame incluiria questões dissertativas e objetivas, além de poder cobrar uma parte específica, direcionada a áreas como ciências, para candidatos a Medicina. Alguns cursos poderiam fazer uma segunda fase.A proposta é semelhante à forma de seleção do Programa Universidade para Todos (ProUni). Nele, o aluno escolhe curso e instituição com base na nota do atual Enem, com mínimo de 45 pontos. As linhas gerais que o MEC propõe também são semelhantes ao que ocorre nos Estados Unidos. Lá, cada universidade determina a quantidade de pontos no teste, chamado Scholastic Assessment Test (SAT), para que o candidato possa ter chances de ingressar na instituição. O exame é nacional e cobra inglês, matemática e redação. Com a pontuação mínima, o candidato passa por entrevista e envio de currículo.

Mobilidade
A mudança, se aceita pelos reitores, será válida só para as federais e permitirá que um aluno tente várias instituições ao mesmo tempo, sem ter que fazer vários vestibulares. Além disso, permitirá que um candidato do Acre estude em São Paulo e vice-versa, aumentando a mobilidade. Hoje, para que isso aconteça, o aluno precisa sair de seu Estado para fazer o vestibular no local determinado pela universidade escolhida. Apesar de o MEC ter passado a ideia de que os reitores das federais já concordaram em ter o Enem pelo menos como uma primeira etapa dos vestibulares, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) diz que o assunto nem mesmo começou a ser debatido. "O tema até agora não está na pauta dos reitores. Vamos ouvir a proposta do ministro (Fernando Haddad) e analisá-la", diz o secretário executivo da Andifes, Gustavo Balduíno. O ministro reúne-se hoje com os reitores em Brasília.Uma das resistências é o atual formato do Enem, considerado pouco abrangente quando comparado à seleção feita pelas federais. O modelo final do novo Enem não está definido. Ontem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ainda trabalhava em uma proposta para apresentar aos reitores. O princípio que Haddad pretende adotar prevê uma prova que analise competências e habilidades, como o Enem, e não só conteúdos, como o atual vestibular.O ministro reclama que as atuais seleções não avaliam se o aluno aprendeu, o que reflete na qualidade do ensino médio. A mudança pode levar à aproximação com o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, que mede as mesmas habilidades do Enem, com mais conteúdo.As universidades têm autonomia para definir seu processo seletivo, por isso o MEC precisa do apoio delas para conseguir implantar a proposta. A prova nacional, porém, não agrada a todos. Em São Paulo, reitores da Unifesp, UFSCar e UFABC se reuniram para discutir, entre outros temas, a possibilidade de um vestibular único para as três federais paulistas.


Entenda as propostas do MEC para o novo Enem

Prova unificaria o vestibular das universidades federais, tendo validade nacional
O Ministério da Educação propôs nesta quarta-feira, 25, aos reitores das universidades federais que o vestibular seja substituído por um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O estudante faria, em qualquer Estado, teste com validade nacional e escolheria curso e instituição segundo a nota obtida.


Apesar de o MEC ter passado a ideia de que os reitores das federais já concordaram em ter o Enem pelo menos como uma primeira etapa dos vestibulares, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) diz que o assunto nem mesmo começou a ser debatido. Uma das resistências é o atual formato do Enem, considerado pouco abrangente quando comparado à seleção feita pelas federais.

Entenda as propostas para o novo Enem:

Unificação: O vestibular seria substituído por uma única prova, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ampliado

Prova nacional: A prova valeria para todo o País. O estudante poderia fazer o teste em qualquer Estado e se candidatar às diferentes universidades federais do Brasil. Hoje cada universidade realiza seu processo seletivo com provas e datas diferentes

Escolha posterior: O aluno não precisaria optar por um curso ao se inscrever. Ele faria a prova geral e, com o resultado, poderia decidir o curso que prefere

Segunda fase: Alguns cursos poderiam ter uma segunda fase, com uma avaliação de habilidades específicas da profissão escolhida. A necessidade seria definida pela concorrência e grau de conhecimento necessário para o curso

Mais questões: A prova do Enem seria maior. Hoje são apenas 63 questões e uma redação

Complexidade: As questões passariam a incluir respostas dissertativas, além das de múltipla escolha

Mais áreas: A avaliação contaria com conteúdos específicos, além das questões de conhecimentos gerais

Mobilidade: Mudança permitiria que um candidato do Acre estudasse em São Paulo e vice-versa, aumentando a mobilidade. Hoje, para que isso aconteça, o aluno precisa sair de seu Estado para fazer o vestibular no local determinado pela universidade escolhida


Faculdades federais podem ter vestibular único neste ano

A proposta de um vestibular unificado para as universidades federais pode começar a vigorar ainda neste ano. Essa é a intenção do ministro da Educação, Fernando Haddad. Se os reitores concordarem, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009, já modificado, seria aplicado em outubro. O modelo também poderia incluir qualquer instituição de ensino particular que queira aderir. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo antecipou ontem, o Ministério da Educação planeja ampliar o Enem e torná-lo uma prova nacional de seleção para todas as universidades federais. O modelo que está sendo pensado no MEC inclui uma ampliação do Enem. Hoje, são 63 questões objetivas e uma redação. ?Queremos uma prova que combine o vestibular e o Enem, corrigindo as distorções. O Enem pergunta bem, mas carece de conteúdos. O vestibular tem conteúdo, mas distorce na hora de perguntar. Queremos julgar a capacidade analítica do estudante?, disse Haddad.Ontem, em reunião com a direção e a comissão de desenvolvimento acadêmico da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a proposta foi apresentada pela primeira vez a um grupo de reitores das federais. ?Não vejo objeção para que isso seja feito, mas vai necessitar de um grande esforço do MEC e do Inep. Será necessário que as universidades participem de todo o processo?, avaliou o presidente da Andifes, Amaro Lins.


Vestibular da Unesp muda e terá duas fases

Os candidatos a uma vaga na Universidade Estadual Paulista (Unesp) terão de enfrentar, a partir deste ano, um vestibular com duas fases. Além disso, os aprovados para a 2ª fase terão de responder a questões dissertativas de todas as disciplinas. Outra novidade é que o resultado do Enem terá mais peso na nota final - de 4% para 10% da nota nos cursos em que não há prova de habilidades. A mudança, antecipada com exclusividade pelo jornal O Estado S. Paulo no início do mês, foi aprovada ontem pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da instituição. A única alteração em relação à proposta original é que, em vez de a 2ª fase ser realizada em apenas um dia, será realizada em dois, totalizando três dias de provas. A diretora acadêmica da Fundação Vunesp, Tânia Azevedo, explica que o objetivo é aproximar a prova da realidade do ensino médio, cujo conteúdo é determinado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN?s). As questões deixarão de ser divididas por matéria, valorizando a interdisciplinaridade, e serão organizadas em três eixos: linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências da natureza, matemática e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias. O vestibular da Universidade de São Paulo também pode mudar a partir deste ano. A proposta, em discussão no Conselho de Graduação da instituição, prevê que as provas da 2ª fase tenham questões de todas as disciplinas e que a nota da 1ª fase não seja considerada na nota final. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Fuvest estuda mudar vestibular

Outra medida adotada pela USP para estimular o ingresso do aluno de escola pública será modificar o formato da Fuvest a partir deste ano, conforme revelou o Estado na segunda-feira.Documento elaborado por representantes da reitoria e de algumas unidades propõe que a primeira fase deixe de contar pontos para a nota final e que a segunda etapa tenha questões de todas as disciplinas. A expectativa é de que as modificações sejam aprovadas até maio. Segundo o documento, o objetivo é que a primeira fase seja "visualizada como um filtro de acesso para a segunda fase" e que "a segunda fase passe a ser disputada por candidatos de escolas públicas e particulares, que partirão das mesmas condições iniciais". A USP argumenta que a mudança pode reduzir a influência do preparo em cursinhos pré-vestibulares, inacessíveis aos alunos da rede pública.


Entenda as mudanças propostas para o vestibular da Fuvest

USP pretende tornar-se mais acessível para alunos de escolas públicas com novas propostas para vestibular

A Universidade de São Paulo (USP) estuda mudar o formato de seu vestibular a partir desse ano. No ano passado, 138 mil estudantes se inscreveram para a Fuvest, o número mais baixo registrado nos últimos 11 anos. Portanto, a universidade estuda meios de voltar a atraís alunos e de tornar seus cursos mais acessíveis para estudantes de escolas públicas. As mudanças devem ser votadas até maio para que as mudanças possam ser feitas já no vestibular do fim do ano.

Primeira Fase

Como é: Prova de 90 questões que vale o equivalente à metade da nota final do candidato

Como fica: Continua com o mesmo número de questões, só que deixaria de contar pontos na nota global do aluno. Ela serviria apenas como um "filtro de acesso para a segunda fase", segundo o documento da universidade.

Dessa forma, ainda segundo o texto, "a segunda fase passa a ser disputada por candidatos de escolas públicas e particulares, que partirão das mesmas condições iniciais". A USP ainda argumenta que a mudança pode reduzir a influência do preparo em cursinhos pré-vestibulares "que investem em treinamento intensivo para lidar com provas objetivas" e que não são acessíveis aos estudantes carentes.

Segunda Fase

Como é: a única prova obrigatória para todos os candidatos é a prova de português e redação, sendo que as outras provas (todas de dez questões dissertativas) são sempre relacionadas à carreira escolhida pelo aluno.

Como fica: deve passar a ser feita em três dias para todos os candidatos. O primeiro teria português e redação para todos. O segundo dia seria composto de 18 questões dissertativas de física, química, matemática, biologia, geografia e história. O último dia teria dez questões também dissertativas de apenas duas disciplinas ligadas ao curso escolhido pelo candidato.

Outra novidade é que a USP quer que a prova foque cada vez mais em competências e habilidades em vez de conteúdo apenas. Por isso, além dos 10% da 1ª fase, 6 das 18 questões da 2ª etapa serão interdisciplinares.

"Hoje, dependendo do curso, o estudante tem de fazer dez questões de química, por exemplo. Para um aluno de escola pública, é melhor ter menos perguntas dissertativas de uma área que ele não domina", avalia a coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes.

Desde 1977, quando foi criado, o vestibular da Fuvest já teve vários formatos. Mas a mudança maior ocorreu em 2006, quando a reitora Suely Vilela criou o programa de inclusão da USP (Inclusp). Com a intenção de aumentar o número de alunos de escolas públicas na universidade, então em 20%, esse grupo passou a ganhar bônus no exame.

Foram dados 3% para todos os estudantes de escola pública e 6% para os que, dentre eles, fizeram o Enem. Outros 3% vieram do desempenho em uma avaliação no fim do ensino médio. A prova foi feita em 2008, mas não há garantia de que será realizada neste ano.

O próprio vestibular como tema

(VUNESP) Leia os textos abaixo e, a seguir, elabore um texto dissertativo em que você explicite sua opinião sobre a necessidade da realização do concurso vestibular para ter acesso à universidade, desenvolvendo argumentos adequados para defender seu ponto de vista. Dê-lhe um título. Não ultrapasse 30 linhas.

Texto 1

“A faculdade, hoje, é tábua de salvação das famílias de classe média, que não conseguem acumular bens e precisam recompor seu patrimônio a cada geração”, explica a socióloga Gisela Taschener, da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Atualmente, 8% dos brasileiros possuem diploma universitário”. “A universidade é valorizada porque, no mundo de hoje, o capital do cidadão médio é sua escolaridade”, completa Gisela. Para as famílias que se equilibram com dificuldade entre a prestação da casa e a possibilidade de trocar o carro no final do ano, a faculdade dos filhos é o único patrimônio que se pode deixar. Para os filhos das famílias humildes, o diploma é uma das poucas esperanças de ascensão social. (Veja, Escravos da Angústia, 12/11/1997)

Texto 2

O vestibular, embora considerado injusto por muitos, especialmente aqueles indolentes e incapazes de superá-los, é um instrumento democrático, que proporciona aos concorrentes igualdade de condições.
(Vladimir Antonini, Curitiba, PR, Veja, Cartas, 19/11/97)

Texto 3

Considero o vestibular a maior prova de ineficácia do sistema educacional brasileiro. Não se pode analisar um nível de conhecimento em apenas “uma tarde de domingo”. Principalmente porque estão presentes aspectos emocionais que podem ser decisivos. (Rodrigo Frank de Souza Gomes, Fortaleza, CE, Veja, Cartas, 19/11/97)

Texto 4

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, há um teste depois do 2º grau, mas a avaliação depende de várias outras coisas, entre elas o histórico escolar, cartas de recomendação e o resultado de entrevistas na universidade. (...) Na França, quem conclui o 2º grau tem direito à faculdade desde que seja capaz de agüentar o ritmo puxado dos estudos superiores, responsável pelo abandono do curso por mais da metade dos matriculados. (Veja, Escravos da Angústia, 12/11/97)

Vestibular, um mal necessário

O vestibular privilegia os candidatos pertencentes às classes mais favorecidas economicamente.
Os candidatos que estudaram em escolas com infra-estrutura deficiente, como as escolas públicas do Brasil, por mais que se esforcem, não têm condições de concorrer com aqueles que freqüentaram bons colégios.
Mesmo que o acesso à universidade fosse facilitado para candidatos de condição financeira inferior, o problema não seria resolvido, pois a falta de um aprendizado sólido, no primeiro e segundo graus, comprometeria o ritmo do curso superior. As diferenças entre as escolas públicas e privadas são as verdadeiras responsáveis pela seleção dos candidatos mais ricos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário